Polícia

Empresa de segurança de Pelotas é alvo de operação do Ministério Público

Grupo é suspeito de crimes de tortura, lesões corporais e formação de milícia

Empresa de segurança é alvo de operação do Ministério Público
Empresa de segurança é alvo de operação do Ministério Público Foto : Ministério Público / Divulgação / CP
A empresa Nasf Portaria e Segurança é alvo de uma operação desencadeada na manhã desta terça-feira pelo Ministério Público (MP) gaúcho. A ofensiva, denominada  Braço Forte, tem o objetivo de combater uma série de crimes praticados por integrantes da companhia que atua em Pelotas, na Zona Sul do Estado, prestando serviço de zeladoria.  

Segundo investigações do MP, que duraram três meses, o grupo seria responsável por crimes de tortura, milícia, lesões corporais e danos patrimoniais. A operação deve cumprir 14 mandados de prisão, 21 de busca e apreensão de veículos e outros 26 de busca e apreensão na sede da empresa e em casas de suspeitos.

O cumprimento dos mandados tem apoio da Brigada Militar (BM) e do Batalhão de Operações Especiais da BM. A ofensiva foi deflagrada a partir de denúncia feita na Promotoria de Justiça de Pelotas. De acordo com os promotores responsáveis pela operação, a Nasf foi criada por um tenente da reserva da Brigada Militar há pelo menos 10 anos. A empresa possui mais de 5 mil clientes e arrecada aproximadamente R$ 500 mil mensais. 

A Nasf, que deveria prestar serviço de zeladoria, se organizou em uma milícia que torturava suspeitos de crimes e pessoas que não tinham vínculo com delitos. "Na prática, eles vendiam um serviço que não era preventivo, e sim repressivo", declarou o promotor Flávio Duarte. O nome da operação, “Braço Forte”, é uma alusão ao slogan da empresa “O braço forte da comunidade”.

Participação de policiais militares 

O MP revelou que há vídeos gravados pelos próprios suspeitos que comprovam as agressões a um homem que teria roubado uma casa para qual a Nasf prestava serviços. Segundo a apuração do MP, o grau de violência assustou os promotores. Há ainda policiais militares que trabalham no patrulhamento ostensivo que eram orientados a registrar casos como supostas resistências à prisão. 

Familiares de suspeitos de assaltos e roubos eram espancados para informar o paradeiro dos alvos do grupo. Pessoas e empresas que não utilizavam os serviços da Nasf Portaria e Segurança eram forçadas à contratação, via arrombamento de suas residências e estabelecimentos comerciais.