Polícia

Esposa de Evandro muda teor de depoimento ao falar à Justiça

Oito testemunhas do processo do Caso Bernardo prestaram depoimento em Frederico Westphalen

Oito testemunhas prestaram depoimentos nesta quinta-feira
Oito testemunhas prestaram depoimentos nesta quinta-feira Foto : Agostinho Piovesan / Especial / CP
Por Ananda Müller


Oito testemunhas indicadas pelo Ministério Público para prestarem depoimentos referentes à morte do menino Bernardo Boldrini depuseram, nessa manhã, no fórum de Frederico Westphalen, onde a vítima teve o corpo enterrado em uma cova, no início de abril. Até agora, foram ouvidas 23 das 25 testemunhas arroladas pela acusação. De acordo com a promotora de Justiça Silvia Jappe, os depoimentos foram importantes para corroborar a tese acusatória do Ministério Público e trouxeram vários detalhes sobre questões importantes do planejamento do crime, como a compra do medicamento Midazolan, usado, segundo o inquérito policial, para sedar e matar o garoto.

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O depoimento da última testemunha, a esposa do réu Evandro Wirganovicz, foi o mais contraditório. O depoimento de Luciane Saldanha mudou em relação ao que foi prestado à Polícia, em maio. A mulher alegou ter sido pressionada, à época do crime. Durante o inquérito policial, por exemplo, Luciane disse não lembrar se viu o marido voltando para casa com peixes, mas hoje descreveu detalhes do suposto resultado da pesca, em um riacho próximo ao ponto da cova onde Bernardo foi encontrado. Ela também mudou a versão referente a um relato de emoção do marido: inicialmente, ela afirmou que Evando havia chorado quando questionado sobre a participação no crime, e hoje relatou que o choro era resultado de raiva, pela participação da irmã, Edelvânia, no crime.

A primeira testemunha a ser ouvida foi a funcionária da farmácia onde foi comprado o medicamento aplicado na criança. A atendente confirmou que Edelvânia e Graciele Ugulini estiveram no local e adquiriram o remédio. Logo após, foi ouvido o proprietário da ferragem onde foram compradas a pá e a cavadeira usadas para abrir o buraco em que o menino foi enterrado. O proprietário confirmou a compra, feita por Edelvânia e Graciele. Na sequência, o proprietário da construtora que vendeu um apartamento a Edelvânia relatou procedimentos referentes ao pagamento dos valores referentes ao imóvel (segundo a denúncia, Edelvânia aceitou participar do crime em troca de dinheiro para pagar o apartamento).

Dois homens também prestaram depoimentos referentes à presença do carro de Evandro no local do crime. Ambos relataram ter avistado, dias antes da morte do menino Bernardo, o veículo de Evandro próximo ao local onde o corpo da vítima foi encontrado. O réu disse ter ido pescar nas imediações. Um morador das proximidades foi ouvido logo após e relatou ter visto um carro igual ao de Edelvânia estacionado na região. O funcionário de outro estabelecimento comercial, onde as acusadas tentaram comprar os objetos usados na abertura da cova, também foi ouvido.

Evandro e Edelvânia acompanharam os depoimentos, enquanto Graciele Ugulini e o pai de Bernardo, Leandro Boldrini, voltaram a pedir dispensa.

Relembre o caso

Bernardo, de 11 anos, desapareceu em 4 de abril, em Três Passos, e teve o corpo encontrado na noite do dia 14, em Frederico Westphalen, dentro de um saco plástico e enterrado às margens de um rio. Edelvânia Wirganovicz, amiga da madrasta Graciele Ugulini, admitiu o crime e apontou o local onde a criança foi enterrada.

O pai do menino, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

A polícia sustenta a tese de que Graciele e Edelvânia executaram o homicídio usando doses do medicamento Midazolan – a madrasta porque entendia que o menino era um “estorvo” para o relacionamento entre ela e Leandro Boldrini, e Edelvânia em troca de dinheiro, para comprar um apartamento. Ainda segundo a polícia, Boldrini também teve participação na morte fornecendo o medicamento controlado em uma receita assinada por ele, na cor azul. Já Evandro se tornou o quarto réu do caso, pela suspeita de ter ajudado a fazer a cova onde o corpo do menino foi enterrado.

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