Polícia

Esquema bilionário do PCC: entenda os principais pontos da ação da Polícia Federal

Facção criminosa usou fundos de investimento para blindar recursos oriundos dos crimes

Dinheiro foi apreendido durante operação da Polícia Federal
Dinheiro foi apreendido durante operação da Polícia Federal Foto : Receita Federal / Divulgação / CP

O Primeiro Comando da Capital (PCC) é o principal alvo de uma ação contra um esquema bilionário em que o objetivo era infiltrar a facção na economia formal do Brasil. A ofensiva, deflagrada nesta quinta-feira e chamada de Carbono Oculto, mobilizou 1,4 mil agentes da Polícia Federal, Receitas Federal e Estadual, Gaeco e Polícia Militar. Entenda os principais pontos da investigação.

Alvos e objetivo

Alvos: São 350 alvos em dez estados, com 200 mandados de busca e apreensão.

Meta: Desmantelar uma rede criminosa que, segundo as autoridades, dominou toda a cadeia produtiva de combustíveis, da produção à venda.

Alvos-Chave e Setores Envolvidos

Faria Lima: Um dos focos principais, com 42 alvos, incluindo empresas, corretoras e fundos de investimento. A investigação aponta para a tentativa de lavagem de dinheiro e proteção de patrimônio criminoso.

Setor de Combustíveis: A operação atinge 17 distribuidoras, seis refinadoras, quatro transportadoras, dois terminais portuários e cinco redes de postos de gasolina. Quatro usinas de álcool foram bloqueadas pela Justiça.

Outros Setores: A investigação se estende a redes de padarias, além de 21 pessoas físicas e duas instituições de pagamentos.

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Crimes e Valores Investigados

Lavagem de Dinheiro: A principal suspeita é a lavagem de dinheiro, inclusive do tráfico de drogas, para o PCC e seu líder, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. A instituição de pagamentos BK Bank movimentou R$ 17,7 bilhões de forma suspeita.

Movimentação bilionária: Estima-se que o esquema movimentou R$ 52 bilhões em postos de combustível entre 2020 e 2024.

Prejuízo aos cofres públicos: A sonegação fiscal resultou em perdas de R$ 8,6 bilhões para a Receita Federal.

Irregularidades em postos: Mais de mil postos em 10 estados foram identificados com irregularidades. A maioria recebia dinheiro em espécie ou por meio de cartões para lavar recursos do crime.

Importação e adulteração: O grupo importava produtos como nafta e diesel, supostamente para fins lícitos, e desviava metanol para adulterar a gasolina, prejudicando consumidores e aumentando os lucros.

Principais Acusados e Estrutura

Liderança: A investigação aponta para cinco núcleos, com destaque para a associação entre empresários

Expansão: O grupo teria usado o dinheiro ilícito para comprar usinas sucroalcooleiras no interior de São Paulo, expandindo seu domínio e financiado lobistas em Brasília para blindar suas atividades.

Ocultação e Blindagem de Patrimônio

Fintechs como "bancos paralelos": Uma fintech de pagamento foi identificada como "banco paralelo" da organização, movimentando mais de R$ 46 bilhões e recebendo depósitos em espécie, o que não é comum para esse tipo de instituição.

Fundos de investimento: Foram detectados 40 fundos de investimento com patrimônio de R$ 30 bilhões controlados pela organização. Esses fundos, muitas vezes fechados e com um único cotista, eram usados para ocultar a origem do dinheiro.

Bens adquiridos: Com os recursos, o grupo comprou uma série de bens, incluindo 1.600 caminhões, um terminal portuário, quatro usinas de álcool e mais de 100 imóveis, como fazendas e uma residência de R$ 13 milhões em Trancoso.

Consequências

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) entrou com ações para bloquear mais de R$ 1 bilhão em bens dos envolvidos, como garantia para o pagamento dos impostos devidos.

A Receita Federal já autuou os postos de combustível envolvidos em mais de R$ 891 milhões.

| Foto: Receita Federal