A investigação que culminou na operação "Custo Brasil", deflagrada pela Polícia Federal (PF), Receita Federal e Ministério Público Federal (MPF) nesta quinta-feira, descobriu um esquema que desviou R$ 100 milhões do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão (MPOG), entre 2010 e 2015, em propinas para funcionários públicos e políticos. O ex-ministro da pasta, Paulo Bernardo, foi preso no apartamento funcional da esposa, a senadora Gleisi Hoffman, em Brasília.
De acordo com o MPF, a fraude ocorreu na contratação de uma empresa responsável por empréstimos consignados. O esquema se baseava em contratos fictícios entre a empresa Consist e escritórios de advocacia. O repasse era feito por meio de pagamentos de despesas pessoais e saques. A empresa destinava 70% do contrato como propina. Desse montante, 80% iam para "parceiros" e 20% para intermediadores. Cerca de 20% das propinas foram destinadas ao PT. O dinheiro saía da empresa Consist, seguia para escritórios subcontratados e era distribuído aos destinatários.
Paulo Bernardo recebia propinas por meio de um escritório de advocacia, segundo o MPF. Três escalões do MPOG tiveram participação no esquema: Bernardo, secretários e outros servidores. Mesmo depois de sair do ministério, Bernardo continuou recebendo propinas do esquema. Ele recebeu 9% no início, fatia que caiu para 2% quando deixou o ministério.
Conforme o MPF, o ex-ministro Carlos Gabas, alvo de condução coercitiva, também participou das irregularidades, mas recebia dinheiro por outro escritório de advocacia. Já o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, definia os percentuais de todos os envolvidos no esquema, inclusive os destinados ao partido. O ex-vereador do PT, Alexandre Romano, tinha várias empresas e, por meio delas, repassava dinheiro ao partido. Ele era um dos parceiros do esquema.
De acordo com o MPF, a operação "Custo Brasil" se baseia em farto conjunto probatório: 80 mil documentos já reunidos. Ainda não há evidências de uso do dinheiro em campanhas eleitorais.
Esquema desviou R$ 100 milhões do Ministério do Planejamento, diz MPF
Propinas foram pagas entre 2010 e 2015