Polícia

Ex-vereador “Gringo” tem habeas corpus concedido e vai para prisão domiciliar

Informação foi confirmada pelo escritório de defesa do parlamentar suspeito de liderar esquema de fraudes em licitações

Vereador foi preso suspeito de ser líder do esquema
Vereador foi preso suspeito de ser líder do esquema Foto : Polícia Civil / CP

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul atendeu ao pedido da defesa do ex-vereador Gilvani Dall Oglio, também conhecido como Gringo, e concedeu um habeas corpus. O ex-vereador deverá aguardar o término do inquérito em prisão domiciliar. Oglio é suspeito de liderar um esquema de fraude em licitações.

De acordo com o escritório de advocacia que representa o ex-parlamentar, a solicitação foi deferida pela desembargadora Gisele Anne Vieira de Azambuja para que o suspeito cumpra a prisão domiciliar. Ele foi preso na sexta-feira e encaminhado a Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) e é considerado o principal alvo da Operação Effluxus, que apura fraudes em licitações.

De acordo com o delegado Augusto Zenon, responsável pelas investigações que culminaram na operação realizada na sexta-feira, o esquema era estruturado de forma familiar e utilizava múltiplas empresas para simular concorrência em processos licitatórios. “Se identificou que um grupo familiar utiliza mais de uma empresa para fraudar e vencer licitações, colocando essas empresas, muitas vezes, em nome de terceiros, como forma de burlar as dívidas trabalhistas e baixar os seus custos”, afirmou.

Conforme a investigação, as empresas envolvidas participavam dos mesmos certames, mas a disputa era apenas aparente. Na prática, havia um controle centralizado sobre qual delas venceria cada licitação, com a manipulação dos lances, uso de pessoas interpostas, os chamados “laranjas” e, o aumento da chance de vitoria do grupo. “Essas empresas tinham um centro de organização único, elas só tinham o nome de terceiros, mas eram familiares, e o comandante era somente um”, explicou o delegado.

A Polícia Civil identificou diversos contratos com indícios de irregularidades em diferentes regiões do Estado. Em pelo menos cinco licitações, segundo o delegado, ficou comprovado que empresas do grupo participaram simultaneamente, com vitória sempre direcionada a uma delas. “Encontramos em cinco, bem claramente, que essas empresas deles competiram e somente uma delas ganhava”, afirmou.

Na sexta-feira foram cumpridos nove mandados que resultaram na prisão preventiva do ex-vereador e na apreensão de uma arma de fogo e a prisão em flagrante de outro suspeito, familiar de Gringo, com fiança fixada em dois salários mínimos. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 2,5 milhões em ativos financeiros e a indisponibilidade de bens dos investigados, entre outras medidas cautelares. A defesa nega a versão oficial e o processo corre em segredo de justiça.

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