Trabalhadores da economia solidária que comercializam seus produtos nas bancas instaladas na Praça da Bíblia, junto à BR 116, no Centro de Canoas, têm dividido os espaços com o medo e a insegurança. Ao menos três dos expositores foram alvo de furtos após terem seus estabelecimentos arrombados durante as madrugadas. Além das mercadorias furtadas, os prejuízos se somam ao conserto de portas, fechaduras e estruturas, bem como aos equipamentos que precisaram ser substituídos.
O porta-voz do grupo, o agente comunitário do Programa Paul Singer, William Cavalheiro, diz que a insegurança ameaça diretamente a atividade e a renda dos trabalhadores que dependem dos pequenos empreendimentos para sobreviver. "A cobrança é uma só: o reforço do policiamento e da vigilância para evitar que novos saques aconteçam. Precisamos de resposta dos agentes da segurança pública."
Em uma das bancas, arrombada duas vezes em um período de 20 dias, os vândalos levaram praticamente tudo. "Duas máquinas de crepe, fogão elétrico, micro-ondas, dois transformadores, uma caixa de vinho, além das mercadorias. Calculei um prejuízo que passa de R$ 10 milhões. Comeram até os alimentos que eu tinha na geladeira", disse a expositora que tem medo de se identificar e que teve a porta marcada por um símbolo.
No mês seguinte foi a vez da banca ao lado ser alvo dos suspeitos. Com a porta arrebentada, um dos expositores, com receio de ter novamente as mercadorias levadas, dormiu dentro do local, colocando em risco a própria vida. "Trocamos as fechaduras. Gastamos para ter mais segurança e mesmo assim vivemos com medo. Para nós, que somos pequenos empreendedores, foi um gasto gigantesco."
O QUE DIZ A PREFEITURA SOBRE O SISTEMA DE MONITORAMENTO
A prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria de Segurança Pública, informa que as câmeras instaladas no entorno da Praça da Bíblia pertencem ao Estado e ainda não estão integradas ao sistema municipal de videomonitoramento. No local, há dois pontos, com quatro câmeras de reconhecimento facial e uma câmera PTZ. A Guarda Municipal atua na proteção dos bens, serviços e instalações municipais e não mantém policiamento permanente no trecho. Como medida para ampliar a segurança das bancas, sistemas de alarme e câmeras instalados nos espaços poderão ser integrados ao Centro Integrado de Comando e Controle, permitindo o acionamento da Guarda Municipal para atendimento de ocorrências.
COMO SE MANIFESTA A BRIGADA MILITAR
O comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Fernando Augusto de Meirelles Almeida informou que em 90 dias três ocorrências foram registradas e que o planejamento das ações é feito com base nos registros, pois os recursos disponíveis são finitos e precisam ser otimizados. "As ações de repressão são planejadas de acordo com o cenário que se apresenta. Não há dúvida de que existe um problema e vamos fazer ações para aproximar o policiamento afim de proporcionar uma sensação de tranquilidade e dar uma resposta àquela comunidade." Conforme o comandante, a formalização do crime, através do registro de ocorrência, é imprescindível para se tenha uma estatística real. A reportagem tentou contato com a Polícia Civil de Canoas, mas não obteve retorno.