A facção Bala na Cara, alvo da Operação Refugium nesta quinta-feira, entrou na mira da Polícia Civil após um duplo homicídio na zona Norte de Porto Alegre, em 2025. De acordo com a 2ª Delegacia de Homicídios, à frente da ação, os assassinatos ocorreram porque o bando teria sido infiltrado pelas vítimas, supostamente rivais da quadrilha V7. Foram detidas 30 pessoas, na Capital e no Rio de Janeiro.
Essa ofensiva teve base em mais de um ano de apuração, iniciada em 3 de janeiro do ano passado, quando dois irmãos foram mortos a tiros no bairro Humaitá. Na data, Robson Leonardo Cruz da Silva, 24 anos, sofreu disparos nas costas enquanto estava na avenida Ernesto Neugebauer, pelas 20h45min. Minutos depois, Thiago Cruz da Silva, 20 anos, teve seu rosto alvejado no pátio de casa, na Vila Santo André. Três suspeitos foram presos no dia seguinte.
Conforme informações do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os irmãos viviam na Vila Santo André, mas antes moravam na Vila Cruzeiro do Sul, berço da gangue V7. Só o mais velho tinha antecedentes criminais, por tráfico de drogas, receptação, estupro e participação em um motim, entre outros delitos.
A investigação constatou que os dois teriam recebido alerta dos riscos da mudança. O trabalho policial ainda indicou que o grupo Bala na Cara, atuante na Vila Santo André, temia o repasse de informações, pensando que seus desafetos planejavam invadir a localidade e tomar pontos de tráfico. Isto teria resultado na execução da dupla.
Segundo o delegado e diretor do DHPP, Mario Souza, o Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios entrou em vigor contra os envolvidos. “A Operação Refugium representa a quinta medida do nosso protocolo, que prevê ações especiais na repressão de executores, mandantes e líderes de facção. Quero deixar claro que essa ação somente aconteceu porque o grupo criminoso provocou mortes. Não toleramos assassinatos. Por isso, agora vamos responsabilizar toda a hierarquia do tráfico, da base ao topo”, disse.