O Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) tem como alvo nesta quinta-feira a facção Bala na Cara, participante do assalto ao aeroporto de Caxias do Sul e do homicídio de Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson, na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), em 2024. A ação visa desmontar uma rede de distribuição de drogas que, segundo a Polícia Civil, seria parte do financiamento das empreitadas criminosas.
Na chamada Operação Camisa 2, são cumpridas 175 ordens judiciais, sendo 59 mandados de prisão preventiva, 94 mandados de busca e apreensão, 16 bloqueios de contas bancárias e seis sequestros de veículos. A ofensiva ocorre em Porto Alegre, Lajeado, Encantado, Estrela, Candelária, Santa Cruz do Sul, Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada, Viamão, Canoas e Osório. Ainda há diligências em Paranhos (Mato Grosso do Sul) e São José (Santa Catarina), além de Maringá e Sarandi (Paraná).
De acordo com a 3ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (DIN), a entrada de ilícitos em solo nacional ocorria em áreas fronteiriças, no Mato Grosso do Sul e Paraná, através do transporte de caminhões registrados em nome de laranjas. Ao chegar no Rio Grande do Sul, eram distribuídos entre núcleos da organização criminosa em quase todo território gaúcho. O esquema seria fruto de parceria entre as facções Os Manos e Bala na Cara, movimentando quase R$ 5 milhões nos últimos sete meses.
"Nossa operação é mais um forte recado para facções. Estamos atentos e vamos enfrentar todas as ações criminosas gestadas e implementadas no RS”, afirmou o delegado e diretor de investigações do Denarc, Alencar Carraro.
Para o diretor-geral do Denarc, delegado Carlos Wendt, foram enfraquecidas as bases econômicas e logísticas do tráfico. “Estamos comprometidos com o combate incessante ao narcotráfico, através de investigações para descapitalizar e responsabilizar toda a cadeia de comando de grupos criminosos.”
O que dizem as defesas
Entre os alvos da 3ª DIN estão Bruno Fernando Sanhudo Teixeira (Biboy), José Dalvani Nunes Rodrigues (Minhoca), José Carlos dos Santos (Seco) e Rafael Telles da Silva (Sapo). Eles são apontados como supostas lideranças da quadrilha Bala na Cara.
O advogado Jean de Menezes Severo, que defende os três primeiros suspeitos, diz que não foi informado da ação. Também garante que seus clientes cumprem penas de acordo com a lei e que nenhum deles está envolvido em delitos.
"Até agora, a defesa não soube detalhes dessa operação. No entanto, podemos afirmar que os investigados estão cumprindo suas penas, não se envolvendo em nenhum tipo de crime”, enfatizou Jean Severo.
O advogado Pedro Catão, que faz a defesa de Sapo, reforça a afirmativa de Jean Severo. “Nossa manifestação é no mesmo sentido”, disse Catão.