Polícia

Presos suspeitos de matar mulher encontrada dentro de lixeira em Porto Alegre

Dois investigados por morte de Juliana da Silva Dias, de 44 anos, foram detidos em ação da 2ª Delegacia de Homicídios

Motivação do crime teria sido dívida do tráfico, diz delegado Mario Souza
Motivação do crime teria sido dívida do tráfico, diz delegado Mario Souza Foto : Marcel Horowitz / CP

Os policiais da 2ª Delegacia de Homicídios prenderam dois suspeitos de matar Juliana da Silva Dias, de 44 anos, que teve o corpo deixado em uma lixeira no início da semana, na zona Norte de Porto Alegre. Um dos presos era namorado dela. A informação foi divulgada em coletiva nesta quinta-feira.

Ainda não foi concluído o laudo necroscópico, mas a Polícia Civil acredita que a mulher tenha sido espancada e asfixiada. A motivação teria sido uma dívida de R$ 2 mil, no contexto do tráfico de drogas, mas como um dos suspeitos era companheiro da vítima, o caso foi tipificado como femicídio.

De acordo com o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os presos têm apelidos de “Aranha” e “Saci”, sendo ambos apontados como autores do crime. Também seriam responsáveis por gerenciar o tráfico no entorno do Viaduto José Eduardo Utzig, na avenida Benjamin Constant, em nome da facção Bala na Cara.

Aranha seria namorado da vítima, que foi atraída e morta em um casebre entre a noite de 7 de dezembro e a madrugada seguinte. Ali, ainda segundo apuração policial, o cadáver foi colocado em um carrinho de lixo com rodinhas, sendo transportado a pé por outros dois homens, que ainda não foram identificados.

“O companheiro da vítima cometeu assassinato por dívidas de R$ 2 mil. Ele não teve a menor consideração pelo fato de a mulher ser sua parceira, só levou em conta que era usuária de drogas e que estava devendo. Foi um femincídio, mas no contexto do tráfico”, avaliou o delegado e diretor do DHPP, Mario Souza.

Conforme Mario Souza, a investigação do feminicídio seguirá na 2ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), vinculada ao Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV). Já outro inquérito, com foco em impor pressão operacional na facção dos suspeitos, continua no DHPP.

"Vamos apurar se houve autorização da cúpula da facção para cometimento dessa morte. Caso isso seja comprovado, toda essa quadrilha, da base ao topo, será alvo do Protocolo Estadual das Sete Medidas Contra Homicídios. Não toleramos crimes contra a vida em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul”, enfatizou Souza.

Relembre o caso

Uma equipe do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) localizou o corpo durante serviços de coleta domiciliar na rua Edu Chaves, na esquina com a rua 18 de Novembro, entre os bairros São João e Navegantes, na noite da última segunda-feira, por volta das 21h45min. O cadáver estava envolto por uma coberta, dentro de um carrinho de lixo seco, chegando a ser recolhido no veículo compactador. Foi descoberto após o despejo do entulho, junto aos resíduos, na parte traseira do caminhão.

"Os trabalhadores ficaram bastante assustados. Infelizmente, por vezes nossas equipes enfrentam situações assim durante o turno de serviço. Não é uma profissão fácil”, avaliou o diretor de limpeza e coleta do DMLU, Alexandre Friedrich, também conhecido como ‘Rei da Rua’.

A vítima estava com mãos e pés amarrados. Tinha ainda um saco plástico preto na cabeça e boca amordaçada com uma camiseta branca. Um de seus olhos estava roxo, entre outros sinais que indicavam que ela pode ter sofrido agressões. Vestia calça jeans, mas estava sem roupa da cintura para cima.

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