Polícia

Familiares de mãe e filho mortos em Porto Alegre dizem que bioquímico era ciumento

Homem foi acusado de matar esposa e menino de cinco anos em julho de 2012

Sete testemunhas foram ouvidas nesta sexta-feira na 1ª Vara do Júri, no Fórum Central de Porto Alegre, sobre o caso Ênio Luiz Carnetti. Ele é acusado de assassinar a esposa Márcia Cambraia Calixto Carnetti, de 39 anos, e o filho Matheus Calixto Carnetti, de 5 anos, a facadas. O crime ocorreu no dia 24 de julho de 2012 – dia em que a mulher estava de aniversário. Os relatos da maioria dos familiares das vítimas indicam que o bioquímico era um homem ciumento.

Prestaram esclarecimentos Elizabeth Posenatto Cambraia, mãe e avó das vítimas, João de Carvalho Calixto, pai e avô, Rafael Cambraia Calixto, irmão e tio, Elisa Calixto, cunhada da vítima, os delegados Cléber Lima e Clarissa De Martini, além do policial civil Paulo Becker. Quatro pessoas devem ser ouvidas à tarde. Eles foram ouvidos pela defesa do acusado, além da promotora Lúcia Helena Calegari e a magistrada Cristiane Busatto Zardo, que comandou a sessão.

Conforme os depoimentos da mãe e avó das vítimas, o casal era calmo e não demonstrava estar em desacordo. Elizabeth Posenatto disse que conversava com a filha por telefone com frequência. Já o pai e avô das vítimas confirmou que o casal tinha problemas e salientou que a filha sempre teve a sensação de “estar sendo ameaçada”. Segundo o pai de Márcia, Carnetti era ciumento e suspeitava de traição. Duas semanas antes do crime, ela mencionou que queria se separar. O pai da vítima admitiu que a filha tinha conhecido um homem em Brasília, mas, segundo ele, não tinha conhecimento de nenhuma relação amorosa. O homem, porém, afirmou que Carnetti já tinha traído a mulher.

A cunhada da vítima, Elisa Calixto, também foi ouvida. Ela relatou que teve dois encontros com o casal dias antes do crime – em uma pizza e em um clube, onde se reuniram para um churrasco. Um desentendimento, porém, entre Carnetti e o marido dela, Rafael Calixto, fez com que o almoço fosse cancelado. Já o irmão da vítima disse que ficou muito assustado no momento em que soube da tentativa de suicídio de Carnetti - que tinha se atirado da ponte sobre o Saco da Alemoa, na BR 290, em Porto Alegre. Ao deixar o HPS, onde foi visitá-lo, foi interpelado por uma assistente social. A profissional disse que Carnetti falou sobre "questões disconexas". Horas depois, Calixto foi até a residência do casal e, com o auxílio da polícia, descobriu os corpos.

Depois, foi a vez dos delegados e policiais responsáveis pelo caso prestarem esclarecimentos. A delegada Clarissa de Martini relatou que, pelas características apontadas inicialmente, a vítima morreu de joelhos ou sentada no chão. Seu corpo não apresentava sinais de defesa. Sobre a criança, não foi possível dizer onde morreu. Segundo a delegada, dados iniciais apontaram que Ênio Carnetti colocou o corpo de Matheus como se tivesse dormindo na cama, inclusive arrumando os pés e as mãos. Ele tinha entre três e quatro ferimentos no peito. Duas facas de cozinha e uma peça de roupa foram encontradas no quarto da criança. Havia sangue em toda a casa. Na pia da cozinha da residência foi localizada uma faca que havia sido lavada.

O delegado Cléber Lima era titular da 1ª Delegacia de Homicídios e Desaparecidos (DHD) e foi o responsável pelo inquérito. Ele informou que em conversa informal, Carnetti disse que tinha cometido o crime por traição. O acusado teria discutido com a vítima, pego uma faca e cometido o crime. A arma branca era guardada no armário do casal. Outro policial civil, Paulo Becker, que também atendeu a ocorrência, disse que em seu contato com Ênio Carnetti percebeu frieza – o suspeito estaria são e consciente.

O crime

O crime aconteceu na casa da família, no bairro Tristeza, na zona Sul de Porto Alegre. Carnetti chegou a ser internado no Instituto Psiquiátrico Forense, mas no dia 25 de outubro do ano passado foi encaminhado ao Presídio Central de Porto Alegre, onde aguarda o andamento do processo.

A acusação é de duplo homicídio doloso por motivo torpe (não aceitar a separação conjugal), por meio cruel (aplicar golpes não-letais para causar sofrimento) e com uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas, pois estavam dormindo.

Bookmark and Share