Polícia

Familiares de presos faziam "vaquinha" para pagar propina a policiais, diz promotor

Quadrilha lucrava de R$ 2 mil a R$ 5 mil em cada plantão

Familiares de presos faziam vaquinha para pagamento de propina a policiais, diz promotor
Familiares de presos faziam vaquinha para pagamento de propina a policiais, diz promotor Foto : Jonathas Costa / Especial / CP
O promotor de Justiça de Alvorada, Marcelo Tubino, um dos reponsáveis pela operação Depuração desta quinta-feira, relatou que foi desarticulada uma quadrilha suspeita de cobrar propina de presos em flagrante. Familiares de alguns detidos chegavam a fazer "vaquinha" para poder arcar com a cobranças de valores, feita por uma advogada, dois policiais civis e um ex-policial militar, contou o promotor em entrevista coletiva. 



"As abordagens ocorriam na Delegacia, começavam na repartição e se estendiam até a rua, inclusive ocorrendo na casa de familiares de presos. Temos relatos de que alguns parentes chegaram a juntar dinheiro para poder bancar a cobranças de valores. O pagamento tinha um local que era determinado pelos agentes criminosos", explicou Tubino.

Além do MP, a Corregedoria da Polícia Civil e a 1ª Delegacia Regional Metropolitana participaram da operação. As investigações, iniciadas em maio deste ano, dão conta de que o grupo cobrava valores acima da fiança e se apropriava do excedente. O ex-PM e a advogada ficavam do lado de fora da Delegacia, fazendo o intermédio da cobrança junto aos familiares dos presos. A cada plantão - são realizados em média dois por semana - estima-se o lucro de R$ 2 mil a R$ 5 mil. 

Além disso, os suspeitos consultavam indevidamente o sistema restrito à Segurança Pública para verificar se determinado veículo poderia ser indevidamente restituído, clonado ou adulterado, bem como avisavam a terceiros sobre eventuais investigações policiais em andamento. Os fatos ocorreram na Delegacia de Pronto Atendimento de Alvorada, pelo menos entre março e junho de 2016.