A mãe do homem que morreu durante ação da Brigada Militar em Uruguaiana, no dia 16 de janeiro, alega que ele teria sido assassinado. Sandra Helena Oliveira de Jesus, de 48 anos, diz que a morte de Guilherme Moisés Oliveira de Jesus, 26 anos, teria sido precedida por tortura, alegando que objetos pessoais dele teriam desaparecido no episódio. Segundo a corporação, o rapaz teve mal súbito após oferecer resistência a uma abordagem do 6º Batalhão de Polícia de Choque (BPChq).
Sandra morava com o filho na rua Marechal Floriano, no bairro Cabo Luiz Quevedo, mas não estava em casa na data dos fatos. De acordo com a mãe, Guilherme foi agredido antes de morrer.
"Invadiram nossa residência. Torturaram meu filho. Os gritos foram ouvidos na vizinhança. Ele sofreu fratura na cabeça e mãos, além de queimaduras nos dedos. Tinha sangue no interior da boca e terra nas narinas. Seus pulsos estavam cortados, por conta de algemas”, afirma Sandra.
Conforme a BM, as apreensões no imóvel somaram uma arma, munição e porções de cocaína. Sandra acredita que o material teria sido inserido na ocorrência. Também argumenta que o celular do filho sumiu nas diligências e que teria havido tentativa de limpar manchas de sangue no local.
A mãe adiciona que, dias antes do ocorrido, a suposta companheira de um policial do 6º BPChq teoricamente teria flertado com Guilherme no WhatsApp. Somado a isso, ele publicou nas redes sociais uma montagem em que surgia fardado.
"Meu filho havia dito que recebeu mensagens de uma mulher que seria namorada de PM. Além disso, teve essa brincadeira nas redes sociais, quando o Guilherme utilizou inteligência artificial em uma imagem, fingindo estar uniformizado. A morte dele teve motivação pessoal. Foi tudo premeditado”, avaliou Sandra Helena Oliveira.
Em nota, a BM destaca que a vítima fugiu de abordagem, portando na cintura um objeto com características semelhantes às de uma arma. O texto sustenta que foi empregada força seletiva, momento em que o abordado passou mal. Um inquérito policial militar foi instaurado, com oito PMs afastados de suas funções.
Vale destacar que, ao contrário do que é dito no texto da BM, Sandra enfatiza que o filho não tinha antecedentes. Isso é corroborado na Polícia Civil, que reitera a falta de passagens criminais.
O delegado titular da 1º DP de Uruguaiana, Vinícius Seolin, à frente do inquérito, confirmou que a mãe da vítima prestou depoimento, sem informar quantas oitivas já foram realizadas além dessa. “A informação do número de pessoas ouvidas é sigilosa”, resumiu.
Leia a nota da Brigada Militar
Na noite de sexta-feira (16/01), a Brigada Militar, por meio do 6º Batalhão de Polícia de Choque, durante patrulhamento tático motorizado no município de Uruguaiana, visualizou um indivíduo em atitude suspeita que, ao perceber a presença policial, empreendeu fuga em direção ao interior de uma residência, portando na cintura objeto com características semelhantes às de uma arma de fogo, desobedecendo às ordens legais de parada emanadas pela guarnição.
Durante a abordagem policial, o indivíduo ofereceu resistência ativa, não acatou as ordens verbais e investiu fisicamente contra os policiais militares, sendo necessário o emprego do uso seletivo da força, nos termos da legislação vigente e dos protocolos operacionais, para a sua contenção.
Após a contenção física e algemação, o indivíduo apresentou mal súbito, vindo a perder a consciência. De imediato, a guarnição prestou atendimento pré-hospitalar, realizando manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), e procedeu o encaminhamento ao Pronto Socorro. Após o referido atendimento médico, foi constatado o óbito.
Na ação, foram apreendidas uma arma de fogo, três munições do mesmo calibre e uma porção de substância com características análogas à cocaína. O indivíduo possuía antecedentes criminais.
Diante dos fatos, foi instaurado o procedimento investigatório pela Brigada Militar para a apuração dos fatos, assim como a ocorrência encaminhada à autoridade competente para adoção das providências legais pertinentes.