Polícia

Frequentador de igreja teria matado Glauco, diz polícia

Testemunha reconheceu o suspeito

Cartunista e seu filho foram assassinados nesta madrugada
Cartunista e seu filho foram assassinados nesta madrugada Foto : José Luis da Conceição/AE
O cartunista Glauco Villas Boas e seu filho Raoni teriam sido mortos, de acordo com a polícia, por um conhecido da família que frequentava a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco e inspirada nos cultos do Santo Daime. Segundo a investigação, trata-se de um estudante universitário de 24 anos. Até agora, não foi confirmada a localização do jovem. O crime ocorreu em um carro na madrugada desta sexta-feira, em Osasco, na Grande São Paulo. Ambos foram atingidos por tiros.

O suspeito do crime vive na zona Oeste de São Paulo, e estava afastado dos cultos havia cerca de seis meses. No fim da noite de ontem, ele teria ido ao encontro de Glauco e Raoni, levando uma pistola 765. Houve uma discussão, ainda de acordo coma polícia, e o rapaz disse que iria se matar. Pai e filho tentaram demovê-lo da ideia, quando acabaram sendo mortos. Depois de assassinar Glauco e Raoni, o rapaz fugiu em um carro.

Hoje, quando a morte de Glauco e Raoni veio a público, a primeira hipótese era de que se trataria de uma tentativa de assalto praticada por dois homens. Horas depois, foi divulgada a informação de que o boletim de ocorrência do crime indicava a participação de uma terceira pessoa, que estaria no veículo. Uma testemunha reconheceu o suspeito como um frequentador da igreja. A partir dessa identificação, a polícia levantou informações sobre o carro e o endereço do rapaz.

Os corpos de Glauco e Raoni foram liberados no fim da manhã de hoje. A pedido da família, o velório acontecerá em uma cerimônia reservada e o acesso ao público só será permitido no enterro, previsto para amanhã, no Cemitério Gethsemani Anhanguera.

As vítimas chegaram a ser levadas para o Hospital Albert Sabin, na Lapa, na zona Oeste da capital paulista, mas não resistiram aos ferimentos.

Trajetória do cartunista

Glauco começou a publicar suas tiras nos anos 70 no Diário da Manhã, em Ribeirão Preto, em São Paulo. Em 1976, ele foi premiado no Salão de Humor de Piracicaba e, a partir do ano seguinte, começou a publicar seu trabalho na Folha de S. Paulo. A partir de 1984, Glauco passou a integrar o quadro de cartunistas brasileiros do espaço diário criado no jornal.

O cartunista é autor de uma família de tipos como Geraldão, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Casal Neura e Doy Jorge.