Polícia

Grupo alvo de ação usava laranjas para adquirir imóveis e carros em Porto Alegre, diz Polícia

Quadrilha comprou casa no bairro Aberta dos Morros pagando R$ 500 mil em dinheiro vivo

Polícia Civil realizou operação contra facção criminosa ligada ao tráfico de drogas em Porto Alegre
Polícia Civil realizou operação contra facção criminosa ligada ao tráfico de drogas em Porto Alegre Foto : Polícia Civil / Divulgação / CP

A operação Whiskey Charlie Bravo, realizada na manhã desta sexta-feira em Porto Alegre, conseguiu indisponibilizar R$ 1 milhão de uma facção criminosa baseada na zona Leste da cidade. Segundo informações da Polícia Civil, o grupo, ligado ao tráfico de drogas, usava laranjas para lavar dinheiro, adquirindo imóveis e veículos. Uma casa comprada pela quadrilha chamou a atenção da investigação. A residência, localizada no bairro Aberta dos Morros e avaliada em R$ 500 mil, foi adquirida em dinheiro vivo, com o uso de notas de R$ 2, R$ 5 e R$ 10 para o antigo proprietário. 

As investigações iniciaram ainda em março de 2019, depois que uma denúncia anônima relatou uma movimentação suspeita na casa. A residência foi comprada pela quadrilha entre os anos de 2017 e 2018. Na operação de hoje, nove mandados de busca e apreensão foram cumprido nos bairros Lomba do Pinheiro e Aberta dos Morros. Nos dois locais, a Polícia Civil coletou documentos e indisponibilizou cinco carros e três imóveis. Com isso, os proprietários podem utilizá-los, mas não tem autorização para negociar os mesmos. A diretora da Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Vanessa Pitrez, acredita que, com o andamento das investigações, será possível dobrar o valor que hoje foi indisponibilizado. 

O diretor da Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal do DHPP, delegado Eibert Moreira Neto, disse que a compra do imóvel foi apontada como uma transação suspeita pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que regula transações financeiras em todo país. 

A delegada Vanessa explicou ainda que o envolvimento do DHPP na investigação faz parte de uma nova estratégia para combater homicídios ligados ao tráfico. "A partir do momento em que a gente descapitaliza uma organização criminosa, nós diminuímos o potencial bélico dela. Diminuímos também a capacidade de arregimentar novos membros e, por consequência, de ampliar o seu domínio. Ela afirmou que a maior parte dos homicídios no Rio Grande do Sul estão diretamente ligados ao tráfico de drogas, em sua grande maioria por disputa de espaço. 

Durante a operação os policiais chegaram a encontrar, em um dos imóveis, um homem suspeito de liderar a facção, porém ele não foi preso porque a Justiça não aceitou o pedido feito pela Polícia Civil.