Polícia

Grupo de Ações Especiais treina simulação de rebelião em Porto Alegre

Agentes de elite da Susepe dominaram dublê com bomba de efeito moral e cão adestrado

Agentes de elite da Susepe dominaram dublê com bomba de efeito moral e cão adestrado
Agentes de elite da Susepe dominaram dublê com bomba de efeito moral e cão adestrado Foto : Cristiano Estrela
Equipes do Grupo de Ações Especiais (Gaes), da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), treinaram, na tarde desta segunda-feira, uma simulação de rebelião em sua sede, na rua Voluntários da Pátria, no bairro Floresta, na Capital. Apesar de existir desde de 2008, o Gaes foi criado efetivamente por uma portaria da Susepe, de 2 de março deste ano.

Na simulação de hoje, cinco agentes da unidade mostraram como dominar um detento rebelado, dentro de sua cela, ameaçando os outros. O cenário foi montado no pátio da sede do Gaes. O quinteto, juntamente com Lana, uma pastor belga de 1 ano e 4 meses, avançou, aos poucos, até a cela onde havia a crise.

Após explodir uma bomba de efeito moral, o preso saiu do local onde estava e Lana avançou, dominando-o. Com o dublê de detento no chão, já algemado, o animal obedeceu a ordem de seu adestrador, largando-o, porém ficando vigilante.

Esta é uma das várias situações pelas quais os integrantes do grupo passam. Conforme o chefe do Gaes, Janderson Carvalho da Costa, 42 anos, o grupo já atuou em vários conflitos em prisões do Estado. O último aconteceu na Penitenciária de Caxias do Sul, no Apanhador, quando os agentes entraram para dominar a situação. “Também atuamos na crise que ocorreu no presídio de Alegrete”, lembra Carvalho, ex-soldado da Brigada Militar que há 10 anos é do quadro da Susepe. “Além disso, fazemos escoltas de alto risco, onde há o perigo de ocorrer uma tentativa de resgate do detento transportado."

O Gaes tem sede própria, atualmente. No local, construído em compensado e chapa de aço, está o setor administrativo, os alojamentos para os agentes do interior e a cozinha. Ali também se concentra o plantão da unidade, com a missão de acionar o grupo em caso de emergência. Esta unidade de elite do sistema prisional é ligada diretamente ao gabinete do superintendente.

Carga pesada

Participar do Gaes é uma vocação, e não é uma tarefa fácil. Os integrantes passam horas treinando ou participando de missões, mesmo em final de semana ou feriado. Conforme Carvalho, para entrar na equipe, o candidato tem que se submeter a um processo interno de seleção, que é aberto a períodos regulares, autorizado pelo superintendente.

O processo inicia-se com uma prova física, passando depois por entrevistas com psicólogos da Escola Penitenciária, que buscam o perfil que se enquadre melhor. Se aprovado nessa segunda etapa, o candidato passará por um estágio de ações especiais, onde terá contato com o dia a dia das operações desenvolvidas pelo Gaes. “No último domingo, encerramos um desses processos”, conta o chefe do Gaes. “Dos 22 inscritos, apenas dois foram aprovados."

Após passar por todas as etapas, o calouro terá que enfrentar uma rotina muito parecida com a militar, mesmo o Gaes sendo uma instituição civil. Até mesmo o uniforme lembra uma unidade militar, com o fardamento preto e coturnos. No entanto, salienta Carvalho, o agente que vem para o Gaes chega por vocação, o que já o ajuda a se dar bem com a disciplina quase espartana a que é submetido.

Mesmo dentro da unidade, os integrantes ainda têm que passar, a casa seis meses, por um teste de aptidão física. A iniciativa se justifica, ressalta Carvalho, pelo tipo de ações a que são submetidos. “Muitas vezes passamos mais de 5 horas de pé em uma audiência”, exemplificou. “Além disso, o colete com todo armamento pesa de 5 a 6 kg, por isso somos abrigados a ter um bom condicionamento”.

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