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Grupo investigado por esquema de veículos no RS e em SC teria causado prejuízo superior a R$ 4 milhões

Polícia Civil catalogou ao menos 53 carros ligados à organização, que encomendava furtos e roubos, adulterava veículos e revendia em SC

Operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão
Operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão Foto : Polícia Civil / CP

A investigação que levou à Operação Divisa, deflagrada nesta quarta-feira, identificou pelo menos 53 veículos ligados a uma organização criminosa suspeita de atuar em diferentes etapas do mercado ilegal de automóveis no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 4 milhões, segundo a delegada Cibelle Savi, responsável pelo caso na 1ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo.

A apuração da Polícia Civil começou com roubos de veículos no Vale do Sinos. “A operação começou com a investigação de roubos de veículo no centro de São Leopoldo. A gente percebia que os carros não eram recuperados ou, quando eram, apareciam adulterados em Santa Catarina", explicou Cibelle.

A partir desse padrão, a Polícia Civil avançou na identificação de uma rede que, segundo a investigação, reunia pessoas responsáveis pela subtração, transporte, ocultação, adulteração e revenda dos veículos. “Pelo menos 53 veículos foram catalogados como oriundos do esquema, com prejuízo estimado em mais de R$ 4 milhões”, afirmou Cibelle.

Coordenada pela 1ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo, a operação contou com apoio da Polícia Penal gaúcha e da Polícia Civil catarinense. As ordens judiciais foram cumpridas em São Leopoldo, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Cachoeirinha, Sapucaia do Sul, Alvorada, Canoas, Charqueadas, Sapiranga e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, além de Içara, Tubarão e Balneário Gaivota, em Santa Catarina. Até o último balanço divulgado pela Polícia Civil, 19 pessoas haviam sido presas.

Veículos eram encomendados e revendidos em outro Estado

De acordo com a investigação, a organização atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre os integrantes. Os veículos eram encomendados a terceiros, que realizavam os furtos ou roubos. Depois, motoristas contratados transportavam os automóveis até locais onde eram escondidos, muitas vezes em garagens.

Na sequência, os carros passavam por procedimentos para dificultar a identificação, como remoção de rastreadores, troca de placas e adulteração de sinais identificadores, incluindo chassi e motor. O objetivo era viabilizar a circulação e a comercialização dos veículos em outro Estado.

A investigação também identificou a participação de fornecedores e intermediários especializados na produção e instalação de placas falsas, além de pessoas responsáveis por receber e revender os automóveis.

Segundo a Polícia Civil, os integrantes utilizavam expressões próprias para se comunicar. Para os investigadores, esse foi um dos elementos que reforçaram a suspeita de uma atividade criminosa profissionalizada.

Além de roubos, furtos e receptação de veículos, a apuração reúne indícios de fraudes contra seguradoras. Conforme a investigação, integrantes do grupo simulavam roubos e registravam boletins de ocorrência falsos para tentar obter indenizações. Em alguns casos, os veículos já teriam sido negociados antes mesmo da suposta subtração.

Outro tipo de crime investigado é a extorsão de proprietários. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos exigiam dinheiro para devolver veículos roubados ou furtados e também pressionavam vítimas para que retirassem registros policiais.

A investigação ainda apura suspeitas de comércio ilegal de armas e tráfico de drogas envolvendo pessoas ligadas ao grupo. Conforme o levantamento policial, armas de fogo, incluindo pistolas e revólveres, seriam negociadas para uso em roubos de veículos.

Operações eram comandadas de dentro de presídios

A Polícia Civil aponta que a maioria dos principais investigados já estava recolhida ao sistema prisional e continuava coordenando atividades criminosas de dentro das unidades. Para movimentar os valores obtidos, o grupo utilizava celulares e contas bancárias de familiares, incluindo companheiras, mães e irmãs.

A operação busca também atingir financeiramente a organização, com apreensão de bens e medidas para responsabilizar titulares de contas utilizadas para dissimular os pagamentos. “Vamos colher o interrogatório dos indivíduos que estão sendo capturados e, nos próximos dias, a investigação estará concluída”, completou a delegada.

Os investigados poderão responder por crimes como roubo, furto, receptação qualificada, estelionato, adulteração de sinais identificadores de veículos, fraude contra seguradoras, extorsão e associação criminosa, além de delitos relacionados a armas e drogas.

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