Um homem apontado como líder do tráfico em Canela, na Serra gaúcha, foi morto a tiros na noite de terça-feira. De primeiro nome Renan, ele tinha 32 anos e havia se mudado recentemente para o litoral Norte. A companheira e duas filhas dele presenciaram a execução.
Conforme a Brigada Militar, o atentado ocorreu próximo às 19h30min, quando a família estacionava um Citroën para jantar em uma churrascaria às margens da Estrada do Mar, próximo ao km 3 da RS 389. O homem estava acompanhado da esposa e duas filhas, de quatro e 12 anos, que não ficaram feridas.
O ataque foi cometido pouco após ele sair do automóvel. Relatos dão conta que três homens encapuzados e armados com pistolas teriam desembarcado de uma caminhonete Chevrolet Tracker escura, efetuado os disparos e depois fugido. Ninguém foi preso até o momento.
Alvo de quatro operações da Polícia Civil
O traficante morava há poucos meses em uma residência de alto padrão, em Xangri-lá, avaliada em mais de R$ 1 milhão. Em setembro de 2023, o imóvel foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da segunda fase da Operação Renânia.
A ofensiva resultou de uma investigação que apontava o homem como principal distribuidor de cocaína em Canela. De acordo com a Polícia Civil, ele era líder de um grupo que arrecadava mais de R$ 300 mil por mês através do tráfico. O esquema operava através de telentrega, com foco em usuários de alto poder aquisitivo.
O traficante também foi alvo da Operação Xeque-Mate, deflagrada em outubro de 2020, sendo preso preventivamente em fevereiro de 2021. Na ocasião, ele foi detido na área central de Garopaba, em Santa Catarina, quando guiava um Mercedes-Benz avaliada em R$ 200 mil. Antes disso, o criminoso já havia sido alvo de outras duas operações da Polícia Civil, sendo a primeira etapa da Operação Renânia e a Operação Rato do Banhado, em 2017 e 2019, respectivamente.
Ele acabou fugindo após ter a medida revogada, mas foi capturado novamente no dia 15 de setembro de 2023. Quase três meses depois, em 12 de dezembro, ele foi transferido do Presídio Estadual de Canela à Penitenciária Estadual de Caxias do Sul, após uma investigação constatar que o então presidiário seguia determinando ordens ao tráfico de dentro da cadeia.
Mesmo com vastos antecedentes, em fevereiro, o criminoso ganhou benefício de cumprir pena em regime aberto. Ele morava no litoral Norte desde então, onde já teria sido alvo de uma tentativa de homicídio.
Crime não teria relação com mortes em Canela
De acordo com informações das forças de segurança, o ataque estaria ligação a desavenças internas do crime organizado. O caso, entretanto, não teria relação direta com as três mortes registradas em julho no município da Serra gaúcha, sendo a execução de um homem no entorno da Catedral de Pedra e um duplo homicídio, no bairro São Rafael.
Os assassinatos no último mês resultaram na Operação Catedral, em 13 de agosto, que resultou em 11 prisões e na apreensão de dois adolescentes. A investigação constatou que a ordem para os crimes partiu do sistema penitenciário, onde um detento também foi alvo da ofensiva.
Referente ao ocorrido em Osório, a suspeita inicial é que o atentado em foi motivado por dívidas no contexto do tráfico de drogas. Além disso, a vítima ainda estaria adquirindo drogas de fornecedores não permitidos por outros comparsas. A Polícia Civil investiga o caso.