A morte do agricultor Valdemar Both, 54 anos, movimentou as redes sociais e causou comoção na localidade de Palma, em Santa Maria. Both foi morto com três tiros após um desentendimento com policiais militares que foram até a serraria para verificar uma denúncia de falta de alvarás do estabelecimento.
A Polícia Civil investiga o caso, que trata como “legítima defesa”. A família do agricultor não aceita a versão da Brigada Militar. O corpo de Both foi sepultado na tarde de hoje no cemitério de Vista Gaúcha, sua cidade natal. Both deixa esposa, de 49 anos, e um filho, de 21 anos.
Um vídeo da abordagem do agricultor foi gravado. Com 1 minuto e 47 segundos, as imagens, ruins pela falta de claridade, mostram a abordagem e o desentendimento. Os policiais militares, de acordo com a Brigada Militar, teriam ido averiguar uma denúncia sobre a falta de alvará em uma serraria.
Both teria apresentado a documentação exigida e, ao ver que estavam registrando uma ocorrência, teria ficado irritado, questionando que “não poderia trabalhar em paz”. Após alguns minutos de discussão, Both, que estava com um machado nas mãos, teria ameaçado os policiais militares. Neste momento, o vídeo mostra um policial militar correndo para o lado do carro, saindo de quadro.
Segundos depois, ocorre um disparo e depois outros dois. É possível ver o agricultor caindo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas quando chegou Both já estava morto.
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Um inquérito policial militar (IPM) foi instaurado para apurar os fatos. Os dois policiais envolvidos no caso foram afastados temporariamente das funções. A defesa da família, de acordo com a Rádio Minuano, afirma que Both atuava legalmente, comprando eucaliptos para a produção de lenha. A família sustenta que os equipamentos também estavam regularizados.
O Comando Ambiental da BM lançou uma nota oficial.
“Em atenção a diversos questionamentos sobre a ocorrência de óbito decorrente de oposição a intervenção policial ocorrida no dia 01 de julho, o Comando Ambiental da Brigada Militar torna público, de forma preliminar, os seguintes esclarecimentos:
Na data dos fatos, uma equipe do 2° Batalhão Ambiental da Brigada Militar, com sede em Santa Maria, estava em patrulhamento na área rural do município quando se deparou com um estabelecimento que processa e comercializa produtos de origem florestal, notadamente lenha. A equipe composta por dois policiais militares, ao chegar no local, manteve contato com o proprietário do empreendimento e ao longo da fiscalização, foi detectada uma serra circular e motosserras, bem como grande quantidade de madeira e lenha. Foi verificado que o mesmo não possuía a devida licença ambiental de operação. Licença essa que é obrigatória, segundo as normas ambientais. Também foi constatado que as motosserras não tinham a devida licença de porte e uso. Fatos estes que tipificam crimes ambientais previstos em lei. O procedimento nestes casos é a lavratura de termo circunstanciado (TC) e a apreensão das motosserras até que os equipamentos possam ser regularizados.
A partir da informação de que o material seria aprendido, iniciaram-se hostilidades que infelizmente culminaram com o óbito do sr. que estava sendo fiscalizado. Todas as circunstâncias e a dinâmica de como ocorreram os fatos serão apuradas no devido inquérito policial militar (IPM), que já foi instaurado.
O Comando Ambiental reforça seu compromisso com a verdade e transparência dos fatos, sendo necessário neste momento que se aguarde a conclusão da investigação em curso.”