Polícia

Investigada suposta fraude praticada por agentes credenciados ao Detran do RS, PR e SP

Quadrilha teria arrecadado mais de R$ 1 milhão com falsificação de documentos

O Ministério Público (MP) deflagrou nesta terça-feira uma operação simultânea no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. O objetivo da ofensiva, denominada Rousseau III, é investigar suposta fraude praticada por agentes credenciados ao Departamento de Trânsito (Detran) e por despachantes.

O esquema criminoso milionário envolvia a compra de veículos acidentados em leilões para posterior revenda sem que constasse a restrição administrativa “sinistro/recuperado”. Na fraude, o veículo com a documentação adulterada era comercializado por preços quase iguais aos de mercado ao invés da habitual desvalorização quando se trata de um sinistrado que foi recuperado.

O promotor de Justiça João Afonso Silva Beltrame, do Gaeco, calcula que o lucro dos envolvidos foi superior a R$ 1,2 milhão, sendo identificados 173 veículos nesta situação, vendidos entre 2010 e 2013. Na manhã desta terça-feira, foram cumpridos 25 mandados judiciais de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. No Estado, a ação ocorreu em Porto Alegre e Alvorada. Documentos foram apreendidos. Um total de 117 pessoas estão sendo denunciadas por 546 condutas inapropriadas.

As investigações começaram em 2009 com o surgimento de indícios da fraude. O trabalho investigativo concentrou-se sobretudo em um Centro de Registro de Veículos Automotores (CRVA), de Alvorada, onde foi detectado uma expressiva movimentação de veículos de seguradoras sem que esses estivessem na condição de sinistrado. Há suspeita de que cerca de 5 mil veículos nesta situação foram comercializados em mais de 30 municípios.

O diretor-presidente do Detran/RS, Leonardo Kauer Zinn, não descarta que o mesmo tipo de fraude esteja espalhado no país e, por isso, está encaminhando pedido ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em Brasília, para que o registro da restrição administrativa seja feito diretamente no Revanan e não mais no momento da transferência em nível estadual. Já quem comprou veículos dos envolvidos terá a inscrição “sinistrado/recuperado” devolvida ao documento. Medidas de maior fiscalização e controle estão sendo estudadas.

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