Polícia

Judiciário e Universidade debateram o encarceramento feminino em evento no TJRS

Desembargadora Viviane de Faria Miranda fez a abertura e destacou a oportunidade de aproximação entre a experiência da prática jurídica e a pesquisa

Desembargadora Viviane Miranda apresentou, com base em pesquisas, quadro da situação carcerária feminina em evento no TJRS
Desembargadora Viviane Miranda apresentou, com base em pesquisas, quadro da situação carcerária feminina em evento no TJRS Foto : Juliano Verardi / TJRS / CP

Judiciário e Academia estiveram reunidos na quinta-feira, na realização do "Debate Justiça e Gênero – Mulheres e o Sistema de Justiça Criminal", que apresentou e promoveu a troca de conhecimento e experiências sobre a temática do encarceramento feminino, com causas e consequências fundadas na desigualdade. O evento reuniu magistrados, professores e estudantes no Auditório do 13º andar do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, e foi organizado pelo TJRS, em conjunto com a Associação dos Juízes do RS (AJURIS), a Faculdade de Direito da Universidade Federal do RS (UFRGS) e o coletivo Território em Justiça Social.

Incentivadora do debate, a desembargadora Viviane de Faria Miranda, atuante na 1ª Câmara Criminal Especial do TJRS e integrante do Departamento de Mulheres Magistradas da AJURIS, fez a abertura do evento e destacou a oportunidade de aproximação entre a experiência da prática jurídica e a pesquisa. Participaram o desembargador David Medina da Silva, coordenador da Área de Direito Penal no Centro de Estudos do TJRS, a diretora da Faculdade de Direito da UFRGS, Ana Paula Motta Costa, as professoras da UFRGS Vanessa Chiari Gonçalves e Fernanda Martins, a representante do Coletivo Território em Justiça Social, Renata Guadagnin, e a Diretora da Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE), Mariza Rosa. O evento foi transmitido e está disponível no canal do YouTube do TJRS.

Desigualdades

Entre as apresentações, a desembargadora Viviane mostrou, com base em estudos acadêmicos, um amplo cenário das mulheres presas, sendo que cerca de 70% delas estão nessa situação por causa de relações com o tráfico de drogas. Conforme a desembargadora, preconceitos e estereótipos acompanham a mulher também quando comete um crime.

“Quando a mulher pratica um crime, ela vai ser estigmatizada mais por aspectos morais. Aí vem que a mulher que pratica um crime será uma má mãe, porque está deixando sua prole em risco. Ou ela é uma promíscua, porque anda com traficante. Como se não houvesse várias questões de violência de gênero e de vulnerabilidades sociais envolvidas”, disse.

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