Polícia

Juiz alerta para risco de rebeliões em presídios gaúchos devido à crise no Rio

Especialista garante, porém, que facções cariocas não estão representadas nas prisões do RS

Um dos maiores especialistas em sistema carcerário gaúcho e designado pelo Tribunal de Justiça para fiscalizar presídios na região Metropolitana, o juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC), Sidinei Brzuska, garantiu nesta quinta-feira que facções de traficantes cariocas não influenciam na população carcerária gaúcha. Ele reconheceu, contudo, que a guerra travada desde domingo no Rio de Janeiro pode elevar a ameaça de tumultos em casas prisionais gaúchas. O magistrado entende que os detentos, ao acompanharem pela TV as informações de insurgência contra o poder público, podem ser estimulados a criar rebeliões.

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Nesta quinta, 32 detentos fugiram do Instituto Penal de Viamão (IPV) após atear fogo em colchões e destruir uma galeria. A Superintendência Estadual dos Serviços Penitenciários (Susepe), no entanto, negou qualquer relação do motim com a guerra no Rio. "É preciso ter alerta maior neste momento, pois há um clima de 'oba-oba' nas casas prisionais, e detentos podem pegar carona com a situação no Rio", alertou Brzuska, que informou desconhecer, por enquanto, se os incidentes em Viamão foram influenciados pelos cariocas.

De acordo com o juiz, apenas braços de facções paulistas estão, atualmente, detidos em casas prisionais do Estado. Brzuska revelou que neste ano uma organização criminosa ameaçou de morte autoridades gaúchas. O objetivo foi pressionar a Susepe a não adotar um sistema de revista íntima mais rígido em mulheres que visitam a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). "Esta ameaça foi feita há alguns meses, mas ela acabou não se confirmando, depois que a Susepe desistiu da medida", contou o magistrado.

O oficial responsável pelo Comando de Operações Especiais (COE) da Brigada Miltar, coronel Uilson Miranda do Amaral, órgão da administração de cinco unidades prisionais no RS, entre elas o Presídio Central, concordou com Brzuska, mas foi mais direto: "Na prática, os cariocas, mesmo sem terem integrantes de facções no Estado, exercem influência junto aos detentos gaúchos". Amaral ressaltou que os contatos de presos gaúchos com grupos cariocas se resumem a parcerias para levar droga ao Estado fluminense.

Enquanto a Susepe convive com os riscos de incidentes, a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal Rodoviária no Rio Grande do Sul grantem ter agentes gaúchos prontos para serem enviados ao Rio, se houver solicitação.

Em entrevista à reportagem da Rádio Guaíba, o ouvidor da polícia fluminense Luiz Sérgio Wigderowitz avaliou que o reforço, no momento, é desnecessário. "Estamos recebendo carros blindados da Marinha, e a situação está razoavelmente sob controle. Eles estão usando adolescentes, que são pagos para atear fogo em veículos, mas até agora, estes ataques não deixaram pessoas com ferimentos graves", relatou.

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