O secretário estadual da Segurança Pública, Cezar Schirmer, informou na tarde desta quarta-feira que, conforme decisão do desembargador Ricardo Hermann, a Justiça gaúcha considera a greve de servidores da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) ilegal e determinou o retorno dos funcionários ao trabalho após uma série de rebeliões em diversas penitenciárias do Rio Grande do Sul. A multa por descumprimento é de R$ 50 mil por dia.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Rio Grande do Sul (Amapergs), Flávio Berneira, 11 cidades registraram, entre essa terça e quarta-feira, incidentes envolvendo apenados. A assessoria de imprensa da Susepe contestou esta versão e divulgou um boletim atualizado sobre a situação dos presídios. Conforme o órgão, cinco municípios apresentaram distúrbios: Bagé, Charqueadas, Getúlio Vargas, Pelotas e São Borja.
A situação mais grave foi registrada em Getúlio Vargas, local em que quatro apenados morreram. Em entrevista à Rádio Guaíba, Schirmer disse que espera pela colaboração do sindicato com o fim da greve. "Espero que a Amapergs acate a decisão judicial. Estamos preocupados com a segurança da população, servidores e dos apenados. Torço para que haja compreensão e pacificação", disse.
Schirmer comentou que a Susepe já abriu sindicância para apurar as mortes ocorridas no presídio de Getúlio Vargas. "O Instituto Geral de Perícia está no local para ajudar na apuração do caso. Não estou confirmando nada, mas a informação que se tem indica que o que aconteceu em Getúlio Vargas nada tem a ver com a greve. Um preso teria ateado fogo em um colchão e as chamas atingiram outros presos em um local fechado. Lamentamos que isso tenha ocorrido", observou.
O secretário destacou que a votação do pacote de austeridade, proposto pelo governador José Ivo Sartori, a votação não irá retirar direitos de servidores da Susepe. "Nós queremos flexibilizar o horário de plantões, nos permitindo uma carga de 36 horas. Isso vai nos permitir corrigir distorções e trabalhar mais junto aos servidores. A greve não tem fundamento e não consigo entender o porquê dela ter ocorrido", finalizou.
Justiça considera greve da Susepe ilegal e determina retorno de servidores ao trabalho
Secretário Cezar Schirmer disse não entender fundamentos para paralisação