Justiça considera resistência e não tentativa de homicídio o caso da agente baleada em Rio Grande

Justiça considera resistência e não tentativa de homicídio o caso da agente baleada em Rio Grande

Acusado de atirar na policial civil Laline Almeida Larratéa, ferida gravemente em 1º de abril de 2022, teve ainda a prisão preventiva revogada

Correio do Povo

Ugeirm Sindicato protestou também contra a decisão judicial

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Um sentimento de indignação espalhou-se dentro da Polícia Civil, após a Justiça ter revogado a prisão preventiva do suspeito de atirar e ferir gravemente a agente Laline Almeida Larratéa, 36 anos, da 3ª DP de Rio Grande, no dia 1º de abril de 2022. A juíza da 1ª Vara Criminal da Comarca de Rio Grande considerou que o caso não foi uma tentativa de homicídio, mas um crime de resistência, com pena mais branda. O acusado foi ainda colocado em liberdade.

“Nós recebemos com muita estranheza essa decisão. Isso causou uma revolta muito grande, porque a colega foi ferida gravemente e por muito pouco não perdeu a vida. Isso causou sequelas físicas e emocionais muito graves na colega e na equipe que estava junto”, desabafou na manhã desta sexta-feira o vice-presidente da Ugeirm Sindicato, Fábio Castro, à reportagem do Correio do Povo.

“Isso faz com que se crie e se estabeleça uma sensação de desânimo. A nossa vida é que está em risco. Quando esse tipo de situação ocorre, tem que ser punida de acordo com a lei obviamente, mas de forma exemplar para que, em outras situações, os bandidos não se sintam estimulados a reagir em uma abordagem policial”, afirmou o dirigente.

“Afinal de contas, disparar contra um agente da lei é uma clara tentativa de homicídio. Isso nos entristece, porque a gente dedica a nossa vida, que é o bem maior, em defesa da sociedade, então nós temos que ser preservados”, concluiu Fábio Castro.

O incidente ocorreu no bairro Querência, na praia do Cassino, durante o cumprimento de 25 ordens judiciais, sendo 19 mandados de busca e apreensão e outros cinco mandados de prisão, da segunda fase da operação Bloqueio. Na época, o alvo da ação foi uma facção criminosa que atua no tráfico de drogas na região e é liderada por um apenado da Penitenciária Estadual de Rio Grande.

A policial civil foi atingida na cabeça no momento em que um dos mandados estava sendo efetuado em uma residência. Um indivíduo que estava na casa deu três tiros, sendo preso logo após acertar um dos disparos na agente. Ela foi socorrida e levada de helicóptero para a UTI da Santa Casa de Rio Grande, onde ficou internada em coma induzido.

Outros cinco agentes escaparam de serem atingidos por erro de pontaria do criminoso. Em sua defesa, o bandido alegou que acreditava que rivais estavam invadindo a casa, apesar da equipe policial gritar sobre quem era no momento do ingresso no local.


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