A prisão preventiva do outro suposto envolvido, um homem de 21 anos, foi autorizada na quarta, logo depois de a dupla ser liberada por decisão do juiz Mauro Caum Gonçalves. O magistrado entendeu que faltou o pedido do Ministério Público (MP) sugerindo a privação da liberdade. Em função da lei eleitoral, porém, os mandados só podem ser cumpridos a partir da noite da próxima terça-feira.
Na decisão judicial que liberou o homem apontado pela Brigada Militar (BM) como sendo quem baleou a pediatra, o juiz justificou que havia como manter o jovem solto, já que ele respondia a pendências com a Justiça em liberdade. "Se ele estava livre nos processos anteriores, onde, inclusive, havia condenações, com mais razão deve ser solto agora, onde ainda não há juízo condenatório", justificou. Além disso, o magistrado sustentou que ele não representa perigo para a sociedade.
A dupla havia sido capturada ainda nessa terça pela Brigada Militar, encaminhada à Polícia Civil e depois ao Presídio Central. O delegado Daniel Ordhai explicou que houve flagrante – a legislação eleitoral proibe prisões que não sejam em flagrante. Ainda na quarta, a promotora Ana Lúcia Cardozo da Silva criticou a decisão do magistrado. “Só tive acesso ao processo à tarde (de quarta-feira)... fiquei estarrecida com a decisão. O juiz de plantão no Fórum entendeu que o rapaz (que baleou a médica) não oferecia risco à sociedade e que ele não pode ser condenado antes do julgamento. Em 20 anos de profissão, nunca vi um entendimento desta forma, é ininteligível”, disse. O despacho do magistrado estabelece que ambos se apresentem à justiça a cada 15 dias que não saiam de casa entre 22h e 6h.
Em entrevista a Rádio Guaíba nesta quinta-feira, o responsável pelas equipes volantes da Polícia Civil, delegado Márcio Zachello, relatou que vai orientar os plantonistas para que solicitem a prisão preventiva dos suspeitos, a fim de que não haja mais interpretação diferente dos magistrados e os criminosos sejam liberados.