Polícia

Justiça manda prender o segundo suspeito de balear pediatra

Após ser presa na terça-feira, dupla foi liberada por ordem de juiz de plantão

Médica levou um tiro na rua José Bonifácio, próximo ao Parque da Redenção
Médica levou um tiro na rua José Bonifácio, próximo ao Parque da Redenção Foto : André Ávila
A Justiça determinou, no fim da tarde desta quinta-feira, a prisão preventiva do segundo suspeito da tentativa de assalto à médica Simone Napoleão, de 49 anos, na tarde de terça-feira, em Porto Alegre. O jovem de 18 anos teria participado do ataque à mulher que acabou levando um tiro na rua José Bonifácio, próximo ao Parque da Redenção. Ela está internada no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, com um ferimento na nádega.

A prisão preventiva do outro suposto envolvido, um homem de 21 anos, foi autorizada na quarta, logo depois de a dupla ser liberada por decisão do juiz Mauro Caum Gonçalves. O magistrado entendeu que faltou o pedido do Ministério Público (MP) sugerindo a privação da liberdade. Em função da lei eleitoral, porém, os mandados só podem ser cumpridos a partir da noite da próxima terça-feira.

Na decisão judicial que liberou o homem apontado pela Brigada Militar (BM) como sendo quem baleou a pediatra, o juiz justificou que havia como manter o jovem solto, já que ele respondia a pendências com a Justiça em liberdade. "Se ele estava livre nos processos anteriores, onde, inclusive, havia condenações, com mais razão deve ser solto agora, onde ainda não há juízo condenatório", justificou. Além disso, o magistrado sustentou que ele não representa perigo para a sociedade.

A dupla havia sido capturada ainda nessa terça pela Brigada Militar, encaminhada à Polícia Civil e depois ao Presídio Central. O delegado Daniel Ordhai explicou que houve flagrante – a legislação eleitoral proibe prisões que não sejam em flagrante. Ainda na quarta, a promotora Ana Lúcia Cardozo da Silva criticou a decisão do magistrado. “Só tive acesso ao processo à tarde (de quarta-feira)... fiquei estarrecida com a decisão. O juiz de plantão no Fórum entendeu que o rapaz (que baleou a médica) não oferecia risco à sociedade e que ele não pode ser condenado antes do julgamento. Em 20 anos de profissão, nunca vi um entendimento desta forma, é ininteligível”, disse. O despacho do magistrado estabelece que ambos se apresentem à justiça a cada 15 dias que não saiam de casa entre 22h e 6h.

Em entrevista a Rádio Guaíba nesta quinta-feira, o responsável pelas equipes volantes da Polícia Civil, delegado Márcio Zachello, relatou que vai orientar os plantonistas para que solicitem a prisão preventiva dos suspeitos, a fim de que não haja mais interpretação diferente dos magistrados e os criminosos sejam liberados.  


Bookmark and Share