Polícia

Justiça manda revisar arquivamento de inquérito sobre morte de homem com esquizofrenia em ação da BM

Decisão aponta dúvidas sobre conclusão de legítima defesa no caso

Hérick Cristian da Silva Vargas, de 29 anos, morto na zona Norte da Capital
Hérick Cristian da Silva Vargas, de 29 anos, morto na zona Norte da Capital Foto : Arquivo Pessoal / Especial CP

A justiça determinou, nesta terça-feira, 6, a revisão do pedido de arquivamento do inquérito que apura a morte de Herick Cristian da Silva Vargas, ocorrida em setembro de 2025 durante uma intervenção da Brigada Militar, em Porto Alegre. A juíza Anna Alice da Rosa Schuh, do 1º Juizado da 1ª Vara do Júri de Porto Alegre, determinou que o Procurador-Geral de Justiça analise o caso.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) havia pedido o arquivamento do caso, alegando que os policiais agiram em legítima defesa. No entanto, a magistrada apontou a existência de dúvidas relevantes sobre a versão apresentada pelos agentes e considerou que ainda não há provas suficientes e incontestáveis para encerrar o caso.

Na decisão, a juíza destacou imagens de câmeras corporais que mostram a vítima sendo contida por familiares antes dos disparos, além de áudios que indicariam predisposição ao uso da força. Também chamou atenção para o fato de os tiros terem sido efetuados a curta distância e em regiões vitais, mesmo com o homem desarmado. A decisão reforça que, para o arquivamento por legítima defesa, é necessário que não haja controvérsias sobre os fatos, o que não se verifica neste caso.

Com isso, o inquérito será analisado pelo Procurador-Geral de Justiça, que poderá oferecer denúncia, designar outro promotor para o caso ou manter o pedido de arquivamento. A decisão segue entendimento do Supremo Tribunal Federal, que permite ao Judiciário revisar pedidos de arquivamento quando há dúvidas sobre os fatos.

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