A Polícia Civil recebeu ontem os laudos de necropsia do IGP, que confirmam as causas das mortes dos jovens em Esteio. Os exames indicam o uso de arma branca e violência extrema nas mortes de Kauany Martins Kosmalski, 18 anos, e de Ariel Silva da Rosa, 16 anos, amigo da jovem. Marcas típicas de quem tenta se defender foram identificadas nos corpos.
O bebê Miguel Martins Kosmalski, 2 meses, filho de Kauany, morreu em decorrência de traumatismo craniano. Exames com luminol detectaram vestígios de sangue no veículo usado no crime. As amostras foram encaminhadas para análise de DNA. A investigação prossegue com novas verificações, análise dos celulares e depoimentos de testemunhas.
Também nesta segunda-feira, os agentes da DP de Esteio conseguiram imagens de câmeras de monitoramento que registraram a movimentação dos suspeitos de envolvimento na morte dos três, perto do local do crime. O material remete à noite de 20 de julho, data do desaparecimento das vítimas, que tiveram os seus corpos localizados dois dias depois do sumiço, em uma cova às margens do Rio dos Sinos.
De acordo com a Polícia Civil, Kauany e Ariel foram atraídos para uma emboscada e esfaqueados. A investigação indica que eles teriam sido mortos pela mulher investigada, de 41 anos, e pelo companheiro desta, um pai de santo, de 46 anos. A dupla foi presa preventivamente. Além deles, dois adolescentes, de 15 e 17 anos, foram apreendidos também suspeitos de envolvimento no caso.
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Segundo a titular da DP de Esteio, Marcela Smolenaars, as cenas mostram a chegada do veículo do pai de santo no local do crime, às 22h40min. A delegada conta que às 23h06min surge um segundo automóvel e desembarcam três pessoas.
Conforme Marcela, a gravação mostra que a mulher vai a pé até o primeiro carro, enquanto os outros dois aparentam vigiar a rua. Após oito minutos, o carro do pai de santo é conduzido até o ponto onde os corpos foram encontrados. O veículo fica apenas 20 minutos no lugar. “As imagens robustecem a veracidade do depoimento da investigada quanto aos horários do crime e às participações dos outros suspeitos.”
Uma testemunha que transportou três dos suspeitos até a região do crime prestou depoimento ontem, dando detalhes dos transportados. As famílias dos dois jovens assassinados contrataram uma advogada para representá-las.
Motivação
A Polícia Civil diz que as vítimas frequentavam a casa do pai de santo, onde também participavam de atividades. Ele é apontado como pai do filho de Kauany e teria cometido o crime por temer que o envolvimento com a jovem, ainda menor de idade na época da relação, colocaria em risco seu posto de líder religioso.
A delegada afirmou que, confrontado com provas da investigação, o homem teria admitido o crime e indicado a localização dos corpos. A companheira do pai de santo teria se entregado e confessado envolvimento no crime.