Em depoimento aos promotores Mauro Rockenbach e Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, um dos homens admitiu participação no esquema criminoso de adulteração do leite in natura no Noroeste gaúcho. Ele deu detalhes sobre o funcionamento da fraude e afirmou que em apenas uma oportunidade a Confepar, união de cooperativas no Paraná, que recebia o leite adulterado, rejeitou a carga transportada por ele. Em todas as demais o produto com adição de água e ureia foi aceito pela indústria do estado vizinho que, segundo o MP, mantém "concorrência desleal" de mercado e prejudica as empresas gaúchas do setor, hoje ociosas em 50% da planta.
O homem isentou o irmão, também preso, de integrar o esquema, mas disse que o terceiro suspeito sabia e tinha participação na fraude, pois dirigia os caminhões na coleta do leite junto aos produtores e fazia o controle das planilhas do produto coletado.
A operação do MP deteve 15 pessoas e cinco delas já foram liberadas. Na primeira etapa, no começo do mês, os mandados foram cumpridos em Guaporé, Horizontina e Ibirubá, e na segunda em Rondinha, Boa Vista do Buricá e Horizontina.
Nessa semana, a Justiça gaúcha aceitou a denúncia contra 11 suspeitos de envolvimento na fraude do leite em Ibirubá, no Alto do Jacuí. Em Guaporé, na Serra, foi aceita a denúncia contra dois suspeitos de envolvimento na adulteração.
A fraude foi comprovada através de análises químicas do leite cru, no qual foi possível identificar a presença do formol que, mesmo depois dos processos de pasteurização, persiste no produto final. Com o aumento do volume do leite transportado, os "leiteiros" tinham 10% de lucro a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru, em média R$ 0,95 por litro. Mais de 100 milhões de litros foram adulterados no Rio Grande do Sul, conforme o MP.