Polícia

Mãe vira ré por homicídio de menina encontrada morta dentro de lixeira em Guaíba

Caso confirmada a pronúncia, ela será julgada pelo Tribunal do Júri

Corpo de menina foi encontrado em lixeira no entorno de escola em Guaíba
Corpo de menina foi encontrado em lixeira no entorno de escola em Guaíba Foto : Pedro Piegas / CP Memória

A mãe da menina Kerollyn Souza Ferreira virou ré por homicídio doloso qualificado. O fato ocorre após denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e, caso confirmada a pronúncia, ela será julgada pelo Tribunal do Júri. A criança de nove anos foi encontrada morta dentro de um contêiner de lixo em Guaíba, na região Metropolitana, em 9 de agosto.

Segundo o promotor Rafael de Lima Riccardi, responsável pelo caso, a mãe descumpriu o dever legal de proteção, bem como criou o risco de morte da filha ao dopar a criança com medicamentos. Ele também pediu ao Poder Judiciário a prisão preventiva da mãe da vítima, mas ela foi substituída por monitoramento eletrônico. O MPRS vai recorrer desta decisão.

A mulher ainda foi denunciada por maus-tratos, não apenas em relação à menina Kerollyn, mas também em relação a outros três filhos. Além dela, o pai da vítima foi denunciado por abandono material, porque teria deixado de prover auxílio à subsistência da filha. Ele também pode ser julgado pelo Tribunal do Júri como crime conexo.

De acordo com a denúncia, a morte de Kerollyn é consequência direta da conduta da mãe, que corriqueiramente permitia que a filha transitasse pelas ruas sem qualquer supervisão, somado ao fato que, naquela mesma noite, ministrou medicação sedativa não prescrita à criança. O MPRS alega que a menina morreu na lixeira em decorrência de asfixia mecânica mista relacionada à posição no contêiner, às baixas temperaturas e ao efeito do medicamento, conforme laudos periciais.

“O MPRS entende que é um caso de homicídio doloso porque pais têm obrigação pelo zelo, vigilância e cuidado. A menina, há muito tempo, vinha sendo descuidada. A mãe não a vigiou naquela noite fatídica, dando remédio para a filha sem saber os efeitos da medicação e, pior do que isso, sabia do estado crítico dela naquela noite. Kerollyn vinha sendo morta um pouco a cada dia. Os réus não praticaram o mínimo de civilidade em relação a essa filha”, disse o coordenador do Centro de Apoio Operacional do Júri do MPRS, promotor Marcelo Tubino.

Em nota, a defesa da acusada disse que não demonstra surpresa a denúncia oferecida pelo Ministério Público. No comunicado, os advogados Thaís Constantin e Wellyton Noroefé, apontam que as imputações constantes na acusação nada mais são do que uma manobra acusatória, para levar a acusada a júri popular, aproveitando-se da comoção social e a repercussão do caso.

Ainda segundo a defesa, a investigação policial não constatou elementos de prova suficientes para indiciar a mulher pela morte da criança. Por fim, a defesa ressalta que acredita na inocência dela e seguirá efetuando o trabalho de forma ética e transparente, com a certeza de que demonstrará se tratar essa acusação “uma das maiores injustiças do sistema investigativo gaúcho”.

Relembre o caso

Em 9 de agosto, o corpo da menina foi localizado por recicladores no interior de um contêiner de lixo, no bairro Cohab Santa Rita, em Guaíba, próximo a uma escola de ensino infantil. A mãe da criança teria confessado em depoimento na delegacia que a medicou com sedativos na noite anterior ao fato.

A mulher teria dopado a filha em casa, por volta das 22h de quinta-feira. Ainda conforme relato dela, ao acordar na manhã seguinte, a criança não estava mais no imóvel. Ela disse ter ficado surpresa quando policiais militares foram até a porta da residência para informar que o corpo da filha havia sido localizado no lixo.

Quando questionada o porquê de drogar a filha, a mãe teria citado um suposto comportamento agressivo da menina como justificativa. A mulher alegou que a criança surtava, ficava violenta e parecia “endiabrada”, além de agredir os outros irmãos, de três, cinco e 13 anos. Na versão dela, era preciso dopar a menina, mesmo sem acompanhamento médico, para acalmá-la.

A mãe da criança chegou a ser presa temporariamente, sendo solta em liberdade condicional após quase um mês. Ela foi indiciada pela Polícia Civil por maus-tratos com resultado morte e violência psicológica. Já o pai da vítima, foi indiciado por abandono material e violência psicológica. Ele também responde em liberdade.