Uma manifestação pacífica ocorreu no início da noite desta quarta-feira em protesto contra o número crescente de feminicídios registrados em janeiro no Estado. O ato reuniu cerca de 200 pessoas em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre. Entre os participantes estavam coletivos de mulheres, integrantes de partidos políticos e parlamentares de esquerda. O grupo exibiu cartazes com os nomes das vítimas, acendeu velas em homenagem e entoou cânticos como “eu sou mulher, vou defender o meu direito de viver”.
Uma das organizadoras do ato, Eriane Pacheco, lembrou que, em janeiro, a média foi de um feminicídio a cada 65 horas no Estado e afirmou que a mobilização busca chamar a atenção do governador Eduardo Leite para a situação. “A ideia é reunir mulheres e apresentar aqui os nomes das que foram mortas só em janeiro. A gente resolveu organizar um ato que não é um ato com fala, não é um ato de disputa política, mas um ato em memória, e também buscando vida e proteção para as mulheres gaúchas”, disse.
Ela também cobrou políticas públicas mais eficientes e o monitoramento dos casos em que há medida protetiva ativa. “Precisa dialogar com o agressor, ter grupos de gênero. Mas também precisa ter espaços onde a mulher consiga buscar segurança. Ela pode não querer ir à delegacia, mas pode procurar um assistente social, ir ao posto de saúde, numa consulta, e ali conseguir falar. Na escola, a criança que vê a mãe e o pai brigando, a mãe apanhando, pode falar. Agora, quais são os espaços de segurança que a gente consegue garantir? Isso é algo que o Estado tem que fazer”, reivindicou.
- Com 10 feminicídios, janeiro de 2026 já supera o primeiro mês do ano passado no RS; relembre os casos
- Governo Leite divulga baixa na criminalidade, mas feminicídios têm alta
- Feminicídios batem recorde no país e desafiam gestores
Carla Zanella, coordenadora do Coletivo Juntas, também esteve presente no ato segurando cartazes de protesto. Ela afirmou que o objetivo da mobilização é cobrar políticas públicas do governo estadual para que as vítimas não sejam apenas números. “A ideia é relembrar quem são essas pessoas, porque cada uma dessas mulheres mortas é uma história, é uma família que fica, são filhos que ficam. E, infelizmente, o governador não tem destinado orçamento para isso, não tem destinado políticas públicas, não tem prestado atenção nos números alarmantes que o nosso Estado vem sofrendo”, afirmou.
A ativista também contestou a versão de que os feminicídios aumentam naturalmente em janeiro devido ao período de férias e de que se trata de um crime de difícil combate por ocorrer no ambiente doméstico. Para ela, falta estrutura para o Estado enfrentar o problema. “Não é surpresa o aumento dos feminicídios em janeiro. O que surpreende é que isso acontece todo ano e, simplesmente, o governo do Estado não consegue se preparar para isso. Então não é um crime doméstico. A misoginia está sendo produzida constantemente nas redes sociais e nos espaços, e cada vez mais os homens têm se sentido à vontade, na medida em que não há uma política efetiva de combate e fiscalização”, reclamou.
RS já soma 10 feminicídios no ano
O Rio Grande do Sul chegou à marca de 10 feminicídios registrados em 2026, mesmo antes do final do primeiro mês do ano. O número já supera todo o mês de janeiro do ano passado, quando foram contabilizados nove casos no Estado. Ao longo de 2025, o Estado somou 80 crimes desse tipo. Apenas em abril do ano passado houve mais feminicídios (11) do que neste mês de janeiro.