Política

Governo Leite divulga baixa na criminalidade, mas feminicídios têm alta

Gestão divulgou balanço da segurança pública no Estado; documento compara momentos de pico da última década com os indicadores atuais

Governador Eduardo Leite apresenta indicadores consolidados de criminalidade de 2025
Governador Eduardo Leite apresenta indicadores consolidados de criminalidade de 2025 Foto : Alina Souza

O governo de Eduardo Leite (PSD) divulgou um balanço sobre a segurança pública do Estado durante a gestão. Apresentado nesta quinta-feira, o documento comparou momentos de pico da criminalidade na última década com os indicadores de 2025. Conforme o governo, o ano passado foi o mais seguro da história do Estado.

Os dados apontam para uma melhora significativa em grande parte das categorias, porém os feminicídios seguiram outra rota. O documento foi divulgado, em evento no Palácio Piratini, em meio à tensão envolvendo o episódio em que a Brigada Militar matou um produtor rural na região de Pelotas, durante uma operação policial.

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O número homicídios dolosos diminuiu 27% de 2024 para 2025. Assim, o indicador passou de 1.418 para 1.037 ocorrências. A distância aumenta quando comparado à 2017, período em que foram contabilizados 2.990 casos (-65%). Já a quantidade de latrocínios divulgada reduziu em 3% desde o ano anterior. Na prática, isso correspondeu uma mudança 31 para 30. No entanto, quando comparado à 2016, a incidência do crime caiu em 82%. Na época, foram registrados 169 assaltos seguidos de assassinato.

Roubo de veículos, a pedestres, a residências e a comércios diminuíram em mais de 15% desde 2024. Semelhantes aos outros indicadores citados, as porcentagens caem expressivamente quando colocadas ao lado dos seus ápices na história recente. Ocorrências no transporte coletivo, ocorrências bancárias e abigeatos (roubo e abate clandestino de gado) também seguiram a tendência.

Governo do Estado apresenta indicadores consolidados de criminalidade de 2025 | Foto: Alina Souza

Exceções alarmantes

Influenciado pelos casos registrados no feriado da Páscoa, os feminicídios destoaram dos demais crimes. Foi percebido um aumento de 10% de 2024 para 2025. Na prática, o número cresceu de 73 para 80 ocorrências. O levantamento do Estado ainda mostra o histórico irregular do indicador, que sofreu sucessivos avanços e regressos durante a última década. O cenário, inclusive, motivou a recriação da Secretaria da Mulher.

A categoria de roubo de cargas, em contrapartida, tem um retrospecto positivo no governo Leite. Entretanto, o crime também sofreu um leve aumento em 2025. As ocorrências passaram de 38 para 42 registros, o que representa um crescimento de 11%.

Trajetória irregular

Em entrevista coletiva no Palácio Piratini, o governador Eduardo Leite atribuiu os bons indicadores de segurança pública à atuação focada nas lideranças de grupos criminosos, à integração entre os órgãos de segurança e aos investimentos realizados nos últimos anos.

“O mapeamento das lideranças, a retomada da capacidade de ostensividade do Estado, os investimentos em estrutura, viaturas, efetivo policial e nas tecnologias incorporadas às forças de segurança. Tudo isso colabora para que possamos fechar o cerco e fazer com que esses grupos criminosos percebam que o crime não compensa”, afirmou Leite.

Ao comentar o aumento nos casos de feminicídio, o governador observou que, diferentemente de outros indicadores, esse tipo de crime apresenta uma trajetória irregular na série histórica, com períodos de alta e de queda. Segundo ele, o principal desafio do Estado é conseguir tomar conhecimento dessas situações antes que elas evoluam para desfechos fatais.

Leite destacou que, em muitos casos, não havia medida protetiva nem sequer registros de infrações de trânsito anteriores cometidas pelo agressor. “Muitas vezes, situações de violência doméstica são contemporizadas dentro da própria família — pela mãe, pelo tio, por parentes ou irmãos — com falas como ‘é assim mesmo’, ‘seu pai também era assim’. Essas situações acabam sendo relativizadas, não geram ocorrência, o Estado não toma conhecimento e, depois, infelizmente, resultam em um feminicídio”, alertou.

Governo do Estado apresenta indicadores consolidados de criminalidade de 2025 | Foto: Alina Souza

Também presente na apresentação, o secretário estadual de Segurança Pública, Mário Ikeda, informou que atualmente cerca de 1,5 mil vítimas estão sendo monitoradas no Estado. Segundo ele, já foram realizadas 260 prisões de agressores ou potenciais agressores e registrados cerca de 8 mil pedidos de socorro por meio do botão do pânico. “Não temos nenhuma vítima de feminicídio entre as pessoas monitoradas”, afirmou.

Ikeda reforçou a importância da comunicação de situações de risco às forças de segurança e destacou que as denúncias podem ser feitas inclusive pela internet. “Estamos ampliando as portas de acesso para que as vítimas, familiares e vizinhos possam denunciar. Já estamos compartilhando dados de inteligência com a área da saúde. Quando uma mulher vítima de violência doméstica procura um posto de saúde, somos informados para que possamos fazer a busca ativa dessa vítima”, explicou.