Polícia

MP denuncia 13 policiais por associações criminosas no RS

PMs repassavam drogas e armas oriundas de apreensões para facções na Restinga

Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou 13 policiais militares do 21º Batalhão de Polícia Militar por crimes de associação criminosa
Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou 13 policiais militares do 21º Batalhão de Polícia Militar por crimes de associação criminosa Foto : Ricardo Giusti
O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou 13 policiais militares do 21º Batalhão de Polícia Militar (21ºBPM) pelos crimes de associação criminosa, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e receptação de produtos roubados. Entre eles estão 11 soldados e dois sargentos. Quatro PMs já estão presos preventivamente e os outros nove serão afastados das funções, enquanto a Justiça analisa o pedido de prisão.

De acordo com o subprocurador-geral de Justiça para assuntos institucionais do Ministério Público, Fabiano Dallazen, a quadrilha atuava desde o final de 2014 no bairro Restinga, na zona Sul de Porto Alegre. “Estamos apurando 32 fatos criminosos dentro da organização, que tiveram o envolvimento destes PMs”, afirmou Dallazen.

A operação, denominada “Extremo Sul”, é realizada pelo Ministério Público, pela Promotoria de Justiça Criminal da Restinga e pela Corregedoria da Brigada Militar. Outras nove pessoas também foram denunciadas pelo envolvimento com a organização. Uma delas já está presa. Conforme o promotor de Justiça José Nilton Costa de Souza, os policiais repassavam drogas e armas oriundas de apreensões para uma das facções da Restinga. “Eles revendiam armas, munições e drogas que haviam sido apreendidas. Tudo isto voltava para as ruas nas mãos dessa facção”, afirmou o promotor.

Segundo ele, os policiais prestavam “tutela” às próprias facções, alertando sobre possíveis operações. “Eles prestavam serviço (prisão/afastamento de inimigos, informações sobre operações, etc) para essa facção, para obter lucro, e ao mesmo tempo extorquiam o grupo”, explicou o promotor.

Após a apreensão de celulares dos envolvidos, o MP encontrou diversas conversas em um aplicativo de mensagens entre policiais militares e criminosos, onde eram negociados preços de armas como pistolas e fuzis. “Isso mostra a forma como eles agiam”, afirmou Souza. O corregedor-geral da Brigada Militar, tenente-coronel Régis Rocha da Rosa, garantiu que os PMs denunciado serão afastados imediatamente das funções.

Além disso, o corregedor-geral diz que o sentimento de estar anunciando as novas denúncias é ambíguo. “Ficamos constrangidos pela exposição de vários PMs que entraram na BM para defender a sociedade e, em determinado momento, foram para o lado do crime. Mas ao mesmo tempo estamos valorizando aqueles que são dignos”, destacou o tenente-coronel. Segundo ele, os fatos são muito graves e os PMs que ultrapassaram “a linha entre o bem e o mal” devem ser punidos.