Polícia

MP encontrou bombonas sujas que seriam reutilizadas para a venda de água

Poço de captação e indústria de engarrafamento foram interditadas

Bombonas descartadas estavam junto com outras que seriam embaladas
Bombonas descartadas estavam junto com outras que seriam embaladas Foto : Samuel Maciel
* Com informações da repórter Mauren Xavier

O Ministério Público (MP) encontrou na sede da empresa Mineração Campo Branco, que industrializa a água mineral Do Campo, uma série de irregularidades durante a operação Gota D'Água, que investiga venda de água mineral contaminada em Progresso, na região do Vale do Taquari. Entre elas, bombonas de 20 litros que seriam descartadas junto com outras que serviriam de embalagens para a venda. Vencidas, tinham a manipulação das tampas sem cuidados higiênicos e envase em dependências sem dispositivos à prova de roedores e que poderiam impedir a entrada de pragas e de impurezas evitáveis.

O promotor criminal Mauro Rockenbach revelou em coletiva nesta quarta-feira à tarde que funcionários da empresa trabalhavam em condições precárias de higiene. Eles usavam roupas impróprias e chinelos. Os profissionais também não teriam sabão e toalhas descartáveis. Canos abertos, buracos, trincas, área externa não pavimentada, partes com poeira, terra e água parada também foram encontradas pelos representantes do MP. A fábrica ainda tinha dois documentos de funcionamento vencidos: a licença sanitária e a licença de operação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

Com todos os problemas constatados, o poço artesiano de onde a água era retirada e a parte industrial de engarrafamento da empresa foram interditadas e lacrados pela Fepam. Durante a coletiva, Rockenbach apresentou uma garrafa da marca lacrada e com organismos vivos perceptíveis como prova da ilegalidade.

O promotor revelou ainda que os dois sócios e o engenheiro químico responsável pela Mineração Campo Branco, que foram presos na manhã desta quarta-feira, sabiam das irregularidades. As informações para a operação Gota D'Água foram captadas através de interceptações telefônicas e por e-mails. Os três vão responder por formação de organização criminosa e por disponibilizarem alimentos que podem colocar as pessoas em risco de morte.

MP pede o afastamento de responsável 16ª Coordenadoria Regional de Saúde

O Ministério Público também pediu o afastamento do responsável pela 16ª Coordenadoria Regional de Saúde por suspeita de prevaricação. Em julho de 2015, uma fiscalização apontou problemas na fábrica e os proprietários foram multados em R$ 2 mil. Em janeiro ocorreu uma nova inspeção demonstrou que o local apresentava fragilidades no controle de qualidade microbiológico da água mineral, bem como problemas graves de infraestrutura. Desta forma, o servidor autuante sugeriu a aplicação das penas de interdição e multa de R$ 5 mil. No entanto, o coordenador da 16ª CRS transformou a punição em advertência.