Nove mandados de prisão e dez de busca e apreensão foram cumpridos. Pelo menos oito pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no esquema. Tratam-se de empresários e funcionários do ramo.
Segundo o MP, cinco empresas de transporte de leite teriam adulterado o produto cru entregue para a indústria. Uma das formas de adulteração identificada é a da adição de uma substância semelhante à ureia e que possui formol em sua composição, na proporção de 1 kg deste produto para 90 litros de água e mil litros de leite.
A fraude teria sido comprovada por meio de análises químicas do leite cru, quando foi identificada a presença do formol, que mesmo depois dos processos de pasteurização, persiste no produto final. Com o aumento do volume do leite transportado, os "leiteiros" lucravam 10% a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru, em média R$ 0,95 por litro.
A simples adição de água, com o objetivo de aumentar o volume, acarreta perda nutricional, que é compensada pela adição da ureia – produto que contém formol em sua composição – e é considerado cancerígeno pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A adulteração consiste em crime hediondo de corrupção de produtos alimentícios, previsto no Código Penal.
As empresas investigadas teriam transportado aproximadamente 100 milhões de litros de leite entre abril de 2012 e maio de 2013. Desse montante, estima-se que um milhão de quilos de ureia, contendo formol, tenham sido adicionados. Amostras coletadas no decorrer da investigação em supermercados de Porto Alegre apontaram fraude em 14 lotes de leite UHT.
Controle de qualidade inadequado
O promotor Mauro Rochembach explicou, em entrevista à Rádio Guaíba nesta quarta-feira, que o controle de qualidade feito pelas indústrias era inadequado. "A fábrica que recebe esse leite não está fazendo a fiscalização correta. É por isso que o produto foi parar nas prateleiras dos mercados gaúchos. Nós acreditamos que esse controle não ocorria porque a prática (adulteração do leite) caiu em desuso há mais de 30 anos na cadeia produtiva do leite", disse.
Rochembach salientou que os investigados são empresas que realizam o transporte do leite. O promotor esclarece que na cadeia produtiva do leite, o alimento sai do produtor e é transportado por caminhões de pequeno porte até postos de resfriamento. "Essas companhias coletavam o leite e, antes de entregar aos entrepostos para depois seguir para a indústria, elas realizavam a adição dessa substância", acrescentou.
De acordo com o promotor, o MP prendeu funcionários de uma cooperativa paranaense que adquiria leite em solo gaúcho e depois o transportava para o Paraná. "Algumas funcionárias de posto de resfriamento foram detidas porque ajudavam na empreitada criminosa avisando a presença de fiscalização federal", afirmou Rochembach.
Fonte: Mapa e MP/RS