Polícia

MP solicita prisão preventiva de delegado denunciado por peculato

Servidor teria ferido a tiro dois colegas de equipe durante diligência em Uruguaiana

O promotor de Justiça de Uruguaiana Rodrigo de Oliveira Vieira denunciou por peculato, nesta quarta-feira, o delegado de polícia da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) da cidade. Segundo o promotor, devido ao comportamento do policial, que está em estágio probatório, também foi solicitada a prisão dele. O delegado já foi denunciado pelo crime de disparo de arma de fogo. Além disso, em janeiro, durante diligência ele teria ferido a tiros dois colegas de equipe, disse o integrante do Ministério Público (MP).

Em casos de denúncia contra policiais em estagio probatório, o procedimento é abertura de sindicância pelo conselho superior de Policia. Conforme o delegado Luis Gasparetto, da Divisão de Recrutamento e Seleção da Policia Civil, entre os exames para preenchimento de vagas do quadro está a análise psicológica, que observa as características de personalidade dos candidatos. Segundo Gasparetto, o estágio probatório funciona para corrigir falhas que a seleção anterior não conseguiu constatar.

Neste ano, um registro de Boletim de Ocorrência denota que o delegado agrediu a chutes um cão de estimação durante o cumprimento de um mandado, lembrou o promotor. Além disso, em julho passado, a ex-companheira o denunciou à Polícia Civil por agressões físicas, disse Vieira.

Conforme a denúncia de peculato, em 15 de outubro do ano passado, o suspeito foi até uma chácara na Vila da Charqueada, zona rural de Uruguaiana, para cumprir mandados de prisão. No entanto, não encontrou ninguém no local e se apropriou de uma televisão de tela plana. A televisão era da proprietária do local, que possui inclusive nota fiscal da compra, e não tem relação com a suposta quadrilha de roubo. O delegado não lavrou auto de apreensão do bem.

A dona da televisão procurou o MP dias depois. De acordo com uma servidora da Defrec, o delegado havia ordenado que a televisão fosse escondida, sob alguns panos, no banheiro da delegacia, antes do promotor Rodrigo de Oliveira chegar. A pedido do MP, a Justiça concedeu mandado judicial de busca e apreensão, que foi cumprido, com apoio da Polícia Federal, em 2 de março, na casa de uma policial civil, namorada do delegado, que também foi denunciada. O equipamento eletrônico estava na propriedade.

A Justiça de Uruguaiana determinou na tarde nesta quarta-feira, à pedido do Ministério Público, o afastamento do delegado pelo crime de peculato. Na denúncia, o promotor havia solicitado a prisão preventiva, ou o afastamento do delegado do cargo até a conclusão do processo.


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