O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) anunciou que vai recorrer na Justiça para aumentar a pena de um líder de facção gaúcha que foi condenado pelo Tribunal do Júri em Cachoeirinha, na madrugada desta quinta-feira, a 13 anos e seis meses de prisão pelo homicídio qualificado e ocultação do cadáver de uma modelo. Nicolle Brito Castilhos da Silva, de 20 anos, foi assassinada em 2017 por um desentendimento que envolveu duas organizações criminosas.
Conforme a denúncia do MPRS, ela foi raptada, torturada e morta, mas o corpo nunca foi encontrado porque houve indícios de que teria sido esquartejado. A modelo foi morta porque os investigados acreditavam que a vítima teria delatado a rivais o endereço em que estava um integrante do grupo, que foi assassinado em Gravataí, junto com a companheira, dias antes da suposta delação.
Os promotores de Justiça Thomaz De La Rosa da Rosa e Francisco Saldanha Lauenstein atuaram em plenário e destacam que as qualificadoras do homicídio são motivo torpe e dissimulação. Segundo eles, o réu foi o mandante do crime, já que se encontrava detido no dia do fato. Uma companheira dele na época, que teria instigado o líder da facção para dar a ordem de execução da modelo, foi absolvida pelo mesmo Tribunal do Júri. O MPRS anunciou que também vai recorrer da absolvição dela.
Além disso, houve uma delação premiada, firmada no ano de 2020, sobre a participação de cinco outros executores de Nicolle. Este fato ainda será julgado. O MPRS alega que busca combater uma percepção negativa de vítimas, principalmente do gênero feminino, que, de forma ingênua, acabam se envolvendo com pessoas perigosas ligadas a facções criminosas, como neste caso da modelo.