Polícia

Nova lei faz PM que matou mulher em SP ter aumento salarial duas semanas após caso

Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo afirmou que não se trata de "promoção”, mas do cumprimento da legislação vigente

A policial militar Yasmin Cursino Ferreira, que atirou e matou uma mulher na zona Leste de São Paulo em 3 de abril, receberá um aumento salarial de R$ 480 em razão de uma nova lei, que entrou em vigor no início do mês e propõe mudanças na carreira da corporação. Entre as alterações da legislação (Lei nº 18.442, de 2 de abril de 2026), está a unificação das carreiras de soldados de 2ª classe e de 1ª classe em uma única patente: a de soldado PM.

Com isso, Yasmin – que era soldado de 2ª classe desde janeiro de 2025 – passou a ocupar a nova graduação, após transposição publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo na última sexta-feira, exatamente duas semanas depois de se envolver no episódio que culminou em seu afastamento da corporação. Como os soldados de 1ª classe – hierarquicamente superiores aos de 2ª – não podem sofrer redução salarial, os antigos soldados de 2ª classe tiveram reajuste automático nos vencimentos para atingir os valores estabelecidos para a nova patente. Além de Yasmin, centenas de outros militares foram alcançados pela atualização e também tiveram os nomes publicados no Diário Oficial.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou que não se trata de "promoção”, mas apenas do cumprimento da nova lei. “A nova legislação extinguiu a antiga divisão entre soldados de 1ª e 2ª classe, unificando a graduação sob a nomenclatura única de ‘soldado PM’”, informou a pasta. “Dessa forma, o ajuste salarial de R$ 480 trata-se unicamente da equiparação remuneratória automática garantida pela lei a todos os policiais que ocupavam a extinta 2ª classe”, acrescentou.

Policial matou mulher na zona leste após discussão

Na madrugada de 3 de abril, a ajudante geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, foi baleada no tórax pela policial Yasmin durante patrulhamento no bairro Cidade Tiradentes, na zona Leste da capital paulista. A discussão ocorreu na rua Edimundo Audran e começou após a viatura em que Yasmin estava colidir com o braço do marido de Thawanna, Luciano Gonçalves dos Santos, que caminhava pela via – onde as calçadas são estreitas.

Ela desceu do veículo e, durante um bate-boca com Thawanna, atirou contra a vítima. A soldado afirma ter levado um tapa no rosto, o que Luciano nega. A câmera corporal do policial militar Weden Silva, que dirigia a viatura, não registrou o momento do disparo porque estava atrás do veículo, que bloqueou a visão. Yasmin não utilizava bodycam.

Após o disparo, Weden questiona a colega sobre o motivo de ter atirado. Cerca de um minuto depois, por volta das 2h59min, ele aciona o resgate, que chegou às 3h30min. Nesse intervalo, a vítima permaneceu no chão. Com a chegada do socorro, Thawanna foi levada ao Hospital Santa Marcelina, também em Cidade Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada cerca de cinco horas depois.

De acordo com a certidão de óbito, à qual o Estadão teve acesso, Thawanna morreu de hemorragia interna aguda causada por agente perfurocontundente. Ela era mãe de cinco filhos e completaria 32 anos na última quarta-feira, 8 de abril. A Polícia Civil e a Corregedoria da PM investigam o caso. Segundo a SSP-SP, outras corregedorias das instituições envolvidas também apuram os fatos.

Veja Também