Polícia

Oito PMs são denunciados por morte de torcedor do Novo Hamburgo

MP indiciou suspeitos por tortura e prevaricação no assassinato de Maicon Douglas de Lima

Oito policiais militares foram denunciados nesta quarta-feira pelo Ministério Público (MP) em função da morte de Maicon Douglas de Lima, de 16 anos, torcedor do Novo Hamburgo, assassinado na saída de um jogo do time contra o Aimoré, em São Leopoldo, no Vale do Sinos. Dois dos suspeitos foram denunciados pela tortura de outro adolescente de mesma idade, crime que teria sido praticado no mesmo dia do assassinato.

Segundo o MP, foram denunciados os policiais Fabiano Francisco Assmann, Moysés Augusto Ribeiro Stein, Ulisses de Mattos Quos, Ângela Peppe Christofari, Edinei de Matos Silveira, Valentim Martins Torres Neto, Júlio César Bastos da Silveira e Antônio Rony Gonçalves Rodrigues.

Assmann e Stein foram indiciados por homicídio triplamente qualificado: motivo torpe, perigo comum e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Os policias hamburguenses prestaram apoio aos policiais de São Leopoldo na região da estação Santo Afonso da Trensurb, na saída da partida de futebol, no momento do crime. Mesmo após a confusão entre os torcedores ter sido apaziguada, eles atingiram Douglas com dois tiros nas costas.

Conforme o MP, Ulisses de Mattos Quo e Ângela Christofari foram denunciados pela prática de tortura contra outro torcedor, também de 16 anos. Ambos perseguiram o jovem durante a confusão que precedeu os crimes e o prenderam. Com o adolescente já imobilizado, Ulisses chutou-lhe o peito e desferiu uma coronhada na cabeça. Na sequência, Ângela pisou na mão do adolescente. O jovem foi liberado sem registro de ocorrência.

Projétil trocado


Assmann e Stein foram também citados, junto com Valentim Martins Torres Neto e Júlio César Bastos da Silveira, por terem trocado o projétil retirado do corpo de Maicon Douglas. Por essa ação, eles estão sendo denunciados por fraude processual. Já no Hospital Centenário, para onde a vítima foi encaminhada ainda com vida, tiveram acesso à área de procedimentos e retiraram o projétil calibre .40 preso às roupas do adolescente. À polícia, eles entregaram outra bala, que não correspondia àquela usada para atingir o jovem. Já Ulisses de Mattos Quos, Ângela Peppe Christofari, Edinei de Matos Silveira também participaram da fraude ao recolherem as cápsulas dos projéteis do local do homicídio.

Além deles, Antônio Rony Gonçalves Rodrigues, superior dos policiais envolvidos, foi denunciado por prevaricação. De acordo com o MP, ele ouviu uma testemunha dos crimes e a liberou sem registro do depoimento, no intuito de encobrir os crimes praticados pelos colegas de farda.