Yan Mazarem Teixeira não será esquecido no Parque dos Maias, no bairro Rubem Berta, na zona Norte de Porto Alegre. Ele passou suas três décadas de vida ali, onde também foi morto, em 22 de julho. Quem o conheceu sabe que a saudade não passará, mas também encontra um pouco de alento ao ver sua face ilustrada em um painel, na esquina das ruas Carmelita Grippi e Érico Antunes Pinto, em frente à praça Professor Jorge dos Santos Rosa.
O mural foi entregue no último domingo, por iniciativa da associação Alvo Cultural, como parte do projeto Circuito Vozes Negras. Na ocasião, com olhos marejados, familiares e amigos honraram a memória de Yan.
Querido, educado, humilde e prestativo. Esses são alguns dos adjetivos com que os moradores do Parque dos Maias descrevem Yan. Prova disso é que o escolheram por voto unânime como homenageado na obra de arte. Também por isso, é tão difícil para eles conviver com sua ausência.
"A única coisa que temos para expressar é a dor da perda de alguém tão querido pela comunidade e trabalhador. Ainda procuramos respostas para o que aconteceu", desabafou Daiane Oliveira, cunhada de Yan.
Yan era conhecido por ajudar idosos e crianças. Vendia churrasquinhos, além de trabalhar em uma pizzaria. É consenso entre Polícia Civil e Brigada Militar que, apesar de ter sido morto em meio a um conflito do tráfico, ele não tinha relação com o confronto. Outros três homicídios ocorreram na mesma data, ainda no bairro Rubem Berta, mas na área da Cohab, naquele que foi o dia mais violento desde o início do ano em Porto Alegre.