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Polícia Civil destrói mais de 530 quilos de narcóticos apreendidos em combate aos homicídios no RS

Departamento de Homicídios faz primeira incineração de drogas e gera prejuízo de R$ 8 milhões às quadrilhas envolvidas em mortes

Comboio da Polícia Civil escoltou carga de narcóticos ao local de incineração
Comboio da Polícia Civil escoltou carga de narcóticos ao local de incineração Foto : Marcel Horowitz / Especial CP

O Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) destruiu 532 quilos de narcóticos nesta terça-feira, sendo todos apreendidos ao longo do ano em ações contra assassinatos no Rio Grande do Sul. Esta foi a primeira vez que a especializada incinerou narcóticos. A iniciativa ocorreu em um local isolado, na Região Metropolitana.

Além da Polícia Civil, os esforços ainda somaram Polícia Rodoviária Federal (PRF), Vigilância Sanitária e Ministério Público (MPRS). O prejuízo que a ação gerou ao crime organizado supera R$ 8 milhões.

Um comboio com 30 policiais em viaturas, além do grupo de motociclistas da PRF e do helicóptero da PC, escoltou o trajeto da carga até o local da incineração. Ali, nas chamas de uma fornalha, tijolos de maconha, crack e cocaína, entre outros tipos de entorpecentes foram eliminados.

De acordo com o diretor do DHPP, delegado Mario Souza, a apreensão de ilícitos não é foco da unidade. Todavia, isso acaba ocorrendo em consequência do protocolo das sete medidas contra homicídios, em especial a de número cinco, que prevê operações especiais em áreas onde há crimes letais.

A ideia é promover a repressão seletiva de pessoas e reduzir o lucro das quadrilhas, no caso, as envolvidas em execuções. O método tem origem na teoria da dissuasão focada.

"Nossa prioridade é combater os homicídios. Em outras palavras, apreender drogas é somente uma consequência desse trabalho. Também é fato que isso ocorre durante as operações especiais do protocolo contra homicídios. A intenção é causar dano máximo aos assassinos, o que inclui reduzir o lucro das facções com o tráfico”, afirmou o delegado Mario Souza.

Teoria da dissuasão focada

O criador da técnica foi o criminologista norte-americano David Kennedy. Professor da Universidade de Nova York, ele foi o responsável por aplicar a teoria nos Estados Unidos, tendo como principal exemplo Boston, onde houve redução brusca de homicídios em meados dos anos 1990.

Outro case de sucesso é a Colômbia. No ano passado, após a prática da dissuasão focada, Medellín alcançou o menor nível de violência em 40 anos.

Em solo gaúcho, o Departamento de Homicídios da PC, BM e Polícia Penal são pioneiros na aplicação do método. Ao final do primeiro semestre de 2023, a tática gerou redução de 54,4% dos assassinatos em Porto Alegre.

A cifra foi o menor número do indicador para qualquer mês computado desde 2010, quando teve início a série histórica, o que posicionou a Capital abaixo do índice considerado epidêmico pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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