De acordo com o titular da 3ª Delegacia de Polícia (DP) de Canoas, delegado Sílvio Huppes, um diário contendo o nome de uma jovem que procurou a clínica em janeiro, foi submetida a uma curetagem e morreu, em Canoas, desencadeou a investigação. Todas as pessoas que a polícia conseguir comprovar que procuraram a clínicia para fazer aborto também serão responsabilizadas, garantiu o policial.
Oito pessoas foram detidas, ouvidas pela polícia e liberadas, já que não houve flagrante de realização de aborto no momento da abordagem. Seis delas se recusaram a prestar depoimento a polícia e escolheram só se manifestarem em juízo. O delegado garante, no entanto, que elas responderão pelo crime, já que foram encontrados material genético e sangue de pacientes em instrumentos e mesas de cirurgia. A polícia ainda não sabe ao certo quantos abortos eram realizados na casa. "Sabemos que eram centenas de procedimentos a cada mês", comentou o delegado.
O custo de cada aborto variava entre R$ 1,5 mil e R$ 4 mil, dependendo do período da gestação. A clínica fica na avenida Otávio Rocha, 116, no Centro da Capital, e foi interditada. De acordo com a polícia, os donos já haviam sido presos, em 2009. Os proprietários atuavam em outro endereço. A lei brasileira proíbe a realização de abortos, exceto quando a gravidez é resultante de estupro ou põe em risco a vida da mãe.