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Polícia investiga contradições no depoimento de casal suspeito de matar dois jovens e bebê em Esteio

Homem de 46 anos e esposa, de 41 anos, teriam apresentado relatos distintos do crime

Mãe, bebê e adolescente foram mortos em Esteio
Mãe, bebê e adolescente foram mortos em Esteio Foto : Polícia Civil / CP

A Polícia Civil busca confrontar os depoimentos do casal preso após o assassinato de uma mulher, um bebê e um adolescente em Esteio, na região Metropolitana. Conforme as autoridades, os dois suspeitos confessaram envolvimento no crime, mas apresentaram relatos diferentes sobre a dinâmica dos fatos.

As vítimas foram identificadas como Kauany Martins Kosmalski, 18 anos, o filho Miguel Martins Kosmalski, de dois meses, e Ariel Silva da Rosa, 16 anos, amigo da jovem. O trio desapareceu no último domingo e, após dois dias, os corpos foram encontrados em um buraco às margens do Rio dos Sinos.

Os investigados são um homem de 46 anos, que atua como pai de santo, e a esposa dele, de 41 anos. As vítimas frequentavam a casa da dupla, onde também participavam das atividades. O suspeito é apontado como pai do filho de Kauany e, segundo a Polícia Civil, teria cometido o crime por temer que o envolvimento com a jovem, ainda menor de idade na época da relação, colocaria em risco o seu posto de líder religioso.

De acordo com a titular da DP de Esteio, Marcela Smolenaars, o homem foi detido na terça-feira e, após ser confrontado com elementos da investigação, admitiu a autoria do crime e indicou a localização dos corpos. A delegada pontua que ele disse ter esfaqueado os jovens.

Inicialmente, a esposa do pai de santo chegou a ser ouvida como testemunha. Entretanto, na madrugada de quarta-feira, após ter a casa incendiada durante revolta de populares, ela resolveu ir até a delegacia e confessou participação nas mortes.

No relato, segundo a delegada de Esteio, a mulher teria dito que o companheiro, ao lado de dois adolescentes de 15 e 17 anos, convidou Kauany e Ariel para beber vinho e os levou de carro a um local ermo. Ela teria ido ao encontro do grupo após chamar um serviço de aplicativo e, ainda na versão dela, teria matado Kauany a facadas, enquanto o marido esfaqueou Ariel.

Depois, os corpos teriam sido transportados até o local da desova, e as facas foram dispensadas. Para Marcela Smolenaars, o pai de santo tentou isentar a esposa de culpa em sua confissão. "Ele prestou depoimento na tentativa de retirar a esposa do local onde ocorreu o crime, até porque eles têm uma filha pequena. Em princípio, ele teria matado Ariel e ela, Kauany. Eles ‘dividiram as tarefas’ ”, disse.

As circunstâncias da morte do bebê também são investigadas. Conforme a delegada, nenhum dos suspeitos quis falar como a criança foi morta. A suspeita é de asfixia, mas não é descartado que o pequeno tenha sido arremessado com vida no buraco. A dúvida poderá ser esclarecida com o laudo da perícia, que ainda não foi concluído.

A reportagem tenta contato com as defesas dos suspeitos. O espaço permanece aberto para manifestações.

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