Após o roubo de 9 mil celulares do Terminal de Cargas Doméstico do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, a Polícia Civil começa a averiguar os detalhes do crime para dar seguimento à investigação. O titular da Delegacia de Roubos de Cargas, delegado Arthur Raldi, considerou a ação muito bem organizada e que pode ter sido desencadeada a partir de informações privilegiadas.
"Foi uma ação muito bem articulada e que pode ter tido informações específicas, como horários praticados, controle de entrada e saída de mercadorias. Tudo apuraremos ao longo das investigações", resumiu Raldi nesta terça-feira. O delegado ainda comentou que pessoas que já praticaram crimes semelhantes estão sendo observadas. “Temos várias pessoas que podem ter participado. Agora, no desenrolar das investigações, vamos confirmando ou excluindo as hipóteses. Desde cedo nossas equipes estão na rua para levantar as informações e os detalhes do ocorrido”, garantiu.
Segundo Raldi, os celulares terão receptadores e, logo, serão colocados no mercado clandestino. Ele explica que há pessoas que compram um aparelho por R$ 1 mil em alguns estabelecimentos, sendo que o mesmo produto pode custar até o dobro em uma loja tradicional. “Com a procedência ilícita, sem saber ou até pensando em tirar proveito da situação, acabam dando combustível para o mercado do crime”, ponderou. No caso dos aparelhos levados na madrugada de hoje, o delegado explica que é cedo para determinar a atuação da quadrilha.
O crime
A quadrilha citada por Raldi, integrada por até 10 homens armados, conseguiu ingressar por volta das 4h no portão 6 do Salgado Filho usando o "passe" de um funcionário de uma transportadora que utiliza o espaço de cargas da LATAM.
Raldi relatou que o roubo começou a tomar forma longe aeroporto, ainda em Alvorada, quando o dono da transportadora foi abordado pelos criminosos em casa. Ele foi rendido e obrigado a ligar para um dos seus funcionários, um motorista, para que fosse até a residência com um caminhão da empresa.
Ao chegar em Alvorada, o motorista também foi rendido pela quadrilha. A partir daí, o grupo se dividiu: enquanto alguns permaneceram na casa com o dono da transportadora, os outros comparsas ingressaram no baú do caminhão e acompanharam o funcionário até o terminal de cargas do aeroporto. Os criminosos ainda usaram uma Fiat Ducato, uma van, para segui-lo até o local do roubo.
O cadastro do motorista da transportadora facilitou a entrada de parte da quadrilha no terminal de cargas e lá, no espaço administrado pela LATAM, o grupo realizou o roubo dos 9 mil celulares. Na fuga, os criminosos deixaram o local sem deixar suspeitas, ainda na companhia do funcionário da transportadora. A vítima foi solta minutos depois e os assaltantes fugiram.
Por volta das 5h, o Corpo de Bombeiros foi acionado em Alvorada para atender uma ocorrência no bairro Feijó. A Fiat Ducato, usada no roubo, foi incendiada. Conforme o delegado Arthur Raldi, ao menos quatro veículos teriam sido utilizados na ação: um Fiat Uno; um Volkswagen Jetta, uma Renalt Duster e a van que foi encontrada em chamas.
Roubo semelhante em janeiro
No fim de janeiro, a Polícia Civil prendeu nove pessoas envolvidas com o roubo de cargas no Rio Grande do Sul. A ação ocorreu após um roubo a um depósito de uma rede de lojas em Cachoeirinha, na região Metropolitana, na madrugada do dia 22 de janeiro. Os funcionários que estavam no local foram rendidos por cerca de 10 criminosos fortemente armados, que levaram celulares e fugiram em quatro veículos.
Em uma resposta rápida, os agentes encontraram dois sítios em Gravataí ligados ao grupo criminoso. Ao chegar no endereço, houve confronto e um criminoso foi morto. No local, foram encontrados os materiais roubados, todos recuperados, assim como foram apreendidas armas de grosso calibre, como fuzis, pistolas e revólveres. Na ocasião, os prejuízos foram contabilizados em cerca de R$ 3 milhões.