Polícia

Polícia usa leitura labial para identificar gremistas por injúria racial

Fonoaudiólogas interpretam o que gritavam torcedores flagrados por câmeras

A técnica de leitura labial é a mais nova ferramenta usada pela 4ª Delegacia de Polícia (DP) nas investigações do caso das ofensas de cunho racial proferidas pela torcida gremista contra o goleiro santista Aranha. Segundo o delegado Herbert Ferreira, duas fonoaudiólogas foram requisitadas para interpretar o que gritavam os torcedores que aparecem nas imagens no jogo entre Grêmio e Santos, na Arena, e que estão sendo examinadas pelos policiais civis. A ideia, explicou, é fazer uma comparação com o teor dos depoimentos dos investigados, que negaram as injúrias racistas e podem ser agora desmentidos ou não.

O titular da 4ª DP revelou que novas imagens do estádio foram obtidas e serão verificadas. O delegado Herbert Ferreira pretende concluir o inquérito até o final deste mês. O número de indiciados ainda não está definido por ele. Entre os investigados está a torcedora gremista Patrícia Moreira, de 23 anos, cuja imagem gritando “macaco” foi divulgada nacionalmente. O advogado dela, Alexandre Rossato, disse que a estratégia de defesa já está pronta quando o caso chegar à Justiça. Em sua avaliação, a jovem “já foi condenada” e que está cumprindo “prisão domiciliar” devido à repercussão. Além de ameaças, lembrou o advogado, a jovem teve a casa incendiada e vive reclusa em outro local.

Em relação ao incidente envolvendo o jogador Paulão, do Inter, que bateu boca com um torcedor adolescente nas redes sociais, o delegado Herbert Ferreira esclareceu que o caso é enquadrado como Termo Circunstanciado por injúria. O jovem e a mãe dele registraram ocorrência policial na 4ª DP contra o atleta, que não precisará depor na delegacia pois todo o episódio ficou registrado publicamente na internet. A apuração dos fatos deve ser encerrada até o início da próxima semana.

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