A Polícia Civil segue investigando a morte do ciclista Carlos Leandro Trindade da Silva, de 51 anos, ocorrida após um atropelamento registrado na Cidade Baixa, em Porto Alegre, em dezembro do ano passado. O caso, que motivou um protesto de ciclistas na noite de terça-feira, ainda depende da conclusão de exames periciais, especialmente do laudo de necropsia, para definição da tipificação penal.
De acordo com a delegada Roberta Bertoldo, responsável pelo inquérito, o fato ocorreu na noite de 13 de dezembro, próximo da meia-noite, no cruzamento das ruas República e Lima e Silva. A vítima foi atropelada e encaminhada para atendimento médico. O motorista envolvido chegou a ser contido por populares e, posteriormente, levado pela Brigada Militar ao Palácio da Polícia para registro da ocorrência.
Na ocasião, a autoridade policial classificou preliminarmente o caso como lesão corporal dolosa, e não como crime de trânsito culposo, razão pela qual o procedimento não foi encaminhado à Delegacia de Trânsito. “Desde o início da investigação, pelos depoimentos e imagens analisadas, percebemos não se trata de um acidente. Houve uma discussão prévia e uma conduta deliberada do motorista em atropelar a vítima”, afirmou a delegada.
Segundo Roberta Bertoldo, testemunhas foram ouvidas, assim como o próprio ciclista, ainda durante a internação hospitalar. A versão apresentada pela vítima, conforme a delegada, é compatível com imagens que circularam nas redes sociais. “É possível verificar que não houve um evento acidental. A discussão e a dinâmica do fato estão sendo apuradas e indicam uma ação intencional”, reforçou.
A Polícia Civil informou que já solicitou todos os exames periciais considerados necessários para a conclusão do inquérito. Alguns laudos já retornaram, mas o mais relevante, o de necropsia, ainda está em fase de elaboração pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP). “Esse laudo demanda maior atenção e estudos técnicos mais aprofundados, o que é absolutamente normal. Não queremos pressionar o IGP, justamente por se tratar de um caso importante e impactante para a sociedade”, explicou a delegada.
Ela ressaltou que a materialidade do crime depende do laudo, fundamental para a definição final da tipificação, que, segundo a investigação, segue sendo tratada como dolosa.
Questionamento sobre a certidão de óbito
Durante o protesto realizado por ciclistas, familiares e amigos da vítima, houve questionamentos sobre o fato de a certidão de óbito apontar hemorragia como causa da morte, sem menção direta ao atropelamento. Sobre isso, a delegada preferiu não entrar em detalhes técnicos.
“Para quem não está habituado aos termos médicos, pode parecer que não há relação. Mas os elementos que constam no atestado corroboram toda a sequência dos fatos decorrentes do atropelamento. Não se trata de um acidente, mas de uma conduta deliberada”, afirmou.
Procurado pela reportagem, o Hospital Independência, onde Silva faleceu no dia 30 de dezembro de 2025, informou que não tem participação na emissão do atestado de óbito. Em nota, esclareceu que o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e que o documento foi emitido exclusivamente pelo órgão pericial.
A Polícia Civil segue aguardando a finalização dos laudos para concluir o inquérito e definir os próximos encaminhamentos.
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Relembre o caso
Carlos Leandro Trindade da Silva, que foi atropelado durante uma discussão de trânsito na Cidade Baixa, em Porto Alegre, morreu no dia 30 de dezembro de 2025. O acidente ocorreu na noite do dia 13 de dezembro, na esquina das ruas Lima e Silva e da República. O ciclista ficou internado no Hospital Independência, localizado no bairro Agronomia, zona Leste da Capital, até a data do óbito.
No dia do acidente, ele ainda foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS) com uma fratura na tíbia, sendo encaminhado posteriormente ao Hospital Independência. Ele passou por duas cirurgias em função de uma fratura em uma das pernas.
Imagens registraram o momento do atropelamento. No vídeo, é possível ver Silva em sua bicicleta discutindo com o condutor de um veículo Hyundai Creta, de cor branca. Instantes depois, assim que o ciclista se afasta, o carro o atinge por trás e o atropela. Populares ainda impediram que o motorista do veículo fugisse do local. Ele chegou a ser conduzido ao Palácio da Polícia e foi autuado por lesão corporal. Após, foi liberado. O veículo ainda estaria com o licenciamento vencido.