A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quarta-feira, em Capão do Leão, uma operação policial com o objetivo de desarticular uma organização criminosa. O grupo vinha sendo monitorado por diferentes crimes praticados na região. A operação, realizada por agentes da Delegacia de Polícia do município e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas de Pelotas (Draco), é uma resposta ao assalto ocorrido na cidade, ocasião em que uma família foi mantida refém por 73 horas, entre os dias 27 e 30 de dezembro.
Foram cumpridos 15 mandados, sendo 10 de busca e apreensão e cinco de prisão. A facção criminosa alvo da operação já era objeto de investigações anteriores por parte da Polícia Civil, devido ao envolvimento em outros delitos de natureza patrimonial, especialmente em propriedades rurais de Pelotas e Capão do Leão.
A investigação aponta que o grupo possui uma estrutura organizada, com divisão de tarefas que vão desde a execução do assalto e contenção das vítimas até a logística de escoamento de veículos roubados para outros estados e para o exterior, além da utilização de contas bancárias para a lavagem imediata de valores extorquidos.
O foco das buscas foi a localização das armas de fogo, a recuperação de objetos roubados e a apreensão de dispositivos eletrônicos que auxiliarão na identificação completa da rede de colaboradores da facção. As investigações indicam que o grupo utilizava a violência extrema e o confinamento das vítimas como estratégia para garantir tempo suficiente para que os bens roubados, especialmente veículos de alto valor, cruzassem as fronteiras nacionais antes que o crime fosse reportado às autoridades.
O titular da DP de Capão do Leão, delegado Sandro Bandeira, acredita que os presos sejam do mesmo grupo responsável por um roubo ocorrido na zona rural de Pelotas, no dia 13 de janeiro, quando um caseiro foi feito refém por 36 horas, tendo três veículos e um reboque roubados. O caso resultou na ação da Brigada Militar ocorrida na madrugada último dia 15, quando policiais militares mataram o produtor rural Marcos Nörnberg.
"Pode ser que tenha envolvidos da mesma quadrilha, mas não temos a confirmação. A partir da apreensão dos celulares, poderemos ter algo para ligar as ocorrências", pondera.
Ele destaca que a operação desta quarta-feira foi causada pelo assalto em Capão do Leão. Dos mandados, dois são de prisão preventiva e três de prisão temporária, com prazo de validade de 30 dias. "Nossa ideia é transformar a temporária em preventiva. Durante o assalto, no final do ano passado, o carro da família foi levado ao Paraguai, por isso os bandidos mantiveram o cárcere por este tempo", justifica.
Segundo Bandeira, a ideia era que o veículo passasse na fronteira antes que as autoridades fossem alertadas. Além dos cinco presos, há outros 10 suspeitos de terem recebido transferência em Pix de R$ 80 mil, que são alvos dos mandados desta quarta-feira.
"Temos a imagem dos assaltantes com prisão preventiva passando com o carro da família na praça de pedágio. As pessoas que receberam pix também serão indiciadas por associação criminosa. E vamos ver as movimentações de contas bancárias e de telefones celulares", garante.