Rural

Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas deve seguir em Capão do Leão

Anúncio ocorreu em coletiva de imprensa no local que recebe o evento entre os dias 24 e 26 de fevereiro

Autoridades do setor  divulgaram as novidades do evento
Autoridades do setor divulgaram as novidades do evento Foto : Angélica Silveira / Especial / CP

A programação da 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas foi apresentada na manhã desta segunda-feira, durante uma coletiva de imprensa, na Estação Experimental Terras Baixas, em Capão do Leão. No mesmo local, o evento será realizado entre os dias 24 e 26 de fevereiro.

O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Dutra, confirmou que, em breve, deverá ser formalizada que a Estação Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado seguirá como sede da Abertura Oficial da Colheita do Arroz, pelo menos pelos próximos 10 anos. "É um marco a 36ª edição do evento. A ideia de permanecer o evento em um mesmo local nos possibilita organizar melhor a estrutura das vitrines", exemplificou.

Ele conta que este ano cresceu a procura por espaços. Além das 230 empresas (15% a mais do que na edição de 2025), a Feira de Agricultura Familiar contará com 20 expositores. "No ano passado foram oito e neste ano será três vezes mais somente neste setor", relata. Sobre o estande da Embrapa, ele confirmou que serão mais de 20 materiais de forrageiras, além de vitrines de arroz especiais com diferentes nichos de mercado com o negro, o vermelho e o japônico.

"Teremos quatro painéis no estande, ressaltando a importância da programação diversificada, montada diante das dificuldades que o setor vem enfrentando e a perspectiva na pesquisa e manejo da lavoura", enfatiza.

O diretor técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Cláudio Rocha, lembrou da enchente de 2024. Ele acredita que 2026 possa ser o ano de superação do setor. "Quando começar o evento terá passado 20 meses após a cheia e voltamos com ansiedade e preocupação, então discutiremos juntos alternativas para resolver os problemas, enfim alternativas para o setor. Acompanhamos uma queda no preço jamais vista e eu acredito que devemos buscar alternativas juntos", destaca.

Novos mercados

Para o vice-presidente da Farsul, Fernando Rechsteiner, a necessidade não somente a diversificação de culturas, mas também na abertura de novos mercados. "Cada abertura é uma e neste ano temos que pensar em abertura de mercados. Não adianta termos aumento da eficiência produtiva e não temos mercados positivos para este produto. Um exemplo é o milho, que 30% do que é produzido no país é usado no etanol e temos que fazer isto com o arroz", observa.

Ele destaca que são positivas as campanhas para o consumo do alimento, mas só isto não basta. "Temos que arrumar outros destinos. Arroz é mais que simplesmente para cozinhar. Teremos reunião da Câmara Setorial, a Embrapa também deve apresentar sugestões técnicas e econômica, mas somos deficitários e quanto entidades temos que reverter isto", opina. Rechsteiner diz que o produtor consegue controlar o tamanho da oferta, mas com a chegada do produto de outros países, ele acaba diminuindo o tamanho da lavoura. "Devemos trabalhar no evento na diversificação do destino da produção", enfatiza.

O coordenador regional do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) Zona Sul, Igor Kohls, ressaltou o perfil tecnológico do evento. "A Abertura se consolidou como um espaço de inovação. As principais novidades em máquinas, insumos e sistemas produtivos estão presentes, permitindo que o produtor avalie a eficiência das tecnologias nas vitrines", afirmou. Ele confirma que trabalharão com pesquisas para dar opções ao produtor. "Estamos trabalhando com a questão ambiental e temos que mostrar ao produtor", enfatiza. Conforme Kohls, esse perfil tem contribuído para o crescimento contínuo do público.

O prefeito de Capão do Leão, Vilmar Schmitt, mencionou as dificuldades enfrentadas pelo setor. "Precisamos ter um norte claro para saber onde queremos e precisamos chegar", disse, ao defender o fortalecimento das parcerias entre o município e as entidades do agro. Já o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, destacou que o tema da edição deste ano é cenário atual e perspectivas conectando campo e mercado. Segundo ele, a proposta vai além da apresentação de tecnologias.

“Cada vez mais temos trabalhado na sustentabilidade das propriedades. Precisamos analisar as conjunturas. Os cenários mudam e exigem preparação do produtor para enfrentar novas realidades", afirmou.

A feira funcionará das 8h às 19h. As vitrines começam às 7h30min. As visitas serão guiadas pela manhã e livres à tarde. A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz contará com área total de 30 hectares, expectativa de público de 21 mil pessoas, representantes de 17 países e de 18 estados brasileiros. Serão 35 lavouras nas vitrines tecnológicas, com cerca de 50 empresas exposto produtos e soluções. O encerramento terá um ato simbólico de colheita na Lavoura Breno Prates, no dia 26, às 16h30min.

Nunes também abordou a abertura de mercado a partir do acordo com a União Europeia. "Temos a possibilidade de exportar 60 mil toneladas de arroz. O processo prevê seis etapas até a liberação total, mas acreditamos que, à medida que o mercado europeu conheça nosso produto, o consumo tende a crescer, especialmente pelo investimento em produtividade, qualidade e sustentabilidade", concluiu.

As inscrições para participar do evento são gratuitas e podem ser realizadas no site www.colheitadoarroz.com.br. O estacionamento do evento será pago, com a renda revertida para a ONG Semear, que atende crianças em situação de vulnerabilidade.

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