Os dois policiais militares que participaram do atendimento à ocorrência que registrou na morte de um homem em surto na manhã de terça-feira, em Santa Maria, na Região Central do Estado, não trabalharão nas ruas até o término das investigações.
Conforme a Brigada Militar (BM), os dois não serão afastados da corporação, mas não ficarão apenas no trabalho administrativo, até que ocorra uma definição quando à inocência ou responsabilização de ambos. A medida, segundo a BM, é considerada praxe para casos como este.
O caso é investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer o aconteceu durante o atendimento da ocorrência. Além disso, a Brigada Militar instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias do fato.
O homem de 35 anos morreu na manhã de terça-feira após um suposto confronto com os dois policiais, durante o atendimento a um chamado feito por familiares, que relataram que ele estaria em surto e ameaçando pessoas dentro da residência.
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Segundo o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Santa Maria, Adriano de Rossi, os familiares acionaram três vezes a BM, informando que o homem apresentava comportamento agressivo. Ao chegar ao local, os policiais teriam sido confrontados pelo indivíduo, que estava portando um martelo.
Durante a intervenção, o homem teria investido contra os policiais, momento em que um dos militares efetuou três disparos. Um dos tiros atingiu a lateral esquerda do tórax da vítima, que morreu no local antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A morte ocorreu em frente aos familiares do homem.
Segundo o delegado Adriano de Rossi, os próximos passos incluem a busca por imagens que possam auxiliar no esclarecimento dos fatos e a oitiva dos familiares, o que deverá ocorrer respeitando o período de luto.
Em nota divulgada após o ocorrido, a Brigada Militar afirmou que vídeos mostram o homem caminhando em direção à viatura e, momentos depois, o policial desembarca e, “por circunstâncias que ainda estão sendo investigadas”, ele teria efetuado os disparos para conter o indivíduo, que “teria investido contra o agente”, diz um trecho. A BM também lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade aos familiares.
Projeto de lei propõe protocolo em emergências psiquiátricas no RS
O caso ocorrido em Santa Maria levantou o debate sobre a resposta do poder público aos casos de crises de saúde mental. Situações semelhantes já haviam sido registradas no Rio Grande do Sul, como o caso de outro jovem, em Porto Alegre, em setembro de 2025, também durante um surto.
Diante desse cenário, um projeto de lei apresentado pelo do deputado estadual Elizandro Sabino busca estabelecer diretrizes claras para o atendimento pré-hospitalar em emergências psiquiátricas no Rio Grande do Sul. A proposta reconhece que surtos psicóticos, tentativas de suicídio, estados de agitação psicomotora grave e outras crises agudas em saúde mental devem ser tratadas, prioritariamente, como situações de saúde, e não de segurança pública.
O projeto prevê que o atendimento dessas ocorrências seja realizado prioritariamente por equipes de saúde e pelo Corpo de Bombeiros Militar, em articulação com o SAMU, ficando a atuação da Brigada Militar restrita a situações excepcionais, quando houver risco concreto à segurança ou mediante solicitação da autoridade médica reguladora.