A Operação Carpinteiro mobilizou 60 agentes em 20 viaturas, que cumpriram 12 mandados de busca e apreensão e nove de prisão na vila Nazaré, Loteamento Timbaúva e Rubem Berta em Porto Alegre; no Jardim Algarve, em Alvorada; e em Charqueadas. O titular da 12ª Delegacia de Polícia da Capital, delegado Augusto Cavalheiro Neto, disse que os dois gerentes das bocas de fumo da vila Nazaré não foram encontrados e agora estão sendo procurados.
Nenhuma droga foi apreendida, o que pode ter ocorrido em decorrência de ações da Brigada Miliar nos últimos dias, quando foram recolhidas cerca de 15 quilos de maconha na vila. Os traficantes podem ter levado as drogas para outro local por causa disso, conforme o delegado.
As investigações começaram em novembro do ano passado. Cavalheiro Neto explicou que o tráfico na vila Nazaré é especialmente de maconha, provavelmente vinda do Paraguai. Conforme as escutas de conversas telefônicas interceptadas entre novembro de 2011 e março deste ano, cada remessa de maconha ficava entre 10 e 30 quilos. No verão, a distribuição foi intensa para o Litoral Norte, sobretudo em Tramandaí e Osório, observou o delegado.
Em uma das escutas feitas no veraneio, os agentes constataram que os traficantes aguardaram com um veículo parado no acostamento da ERS 040 o fim de uma barreira do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) em Capivari. “Outros traficantes da Capital e região Metropolitana também eram abastecidos”, acrescentou.
Cavalheiro Neto revelou que o narcotraficante Neri enviava as ordens para os subordinados na vila Nazaré. “Ele se comunicava através das visitas, incluindo o envio de cartas e bilhetes”, ressaltou. Ele destacou ainda que as investigações foram difíceis pois a vila possui poucas entradas e saídas, o que facilita a atuação de olheiros em relação à presença de viaturas, mesmo discretas.
Líder da quadrilha
Neri foi capturado em uma ação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) no dia 6 de dezembro de 2008, em Cachoeirinha. Na época, o criminoso mantinha ligação com as facções Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e Amigos dos Amigos (AdA), do Rio de Janeiro, quando trocava drogas por armamento. A cada 15 dias, uma remessa de 2 toneladas de maconha, avaliada em R$ 4 milhões, era enviada aos dois estados. Ele também frequentava a fronteira de Foz do Iguaçu, no Paraná, com o Paraguai.
Na época, Neri foi acusado de mandar assassinar o líder anterior da vila Nazaré e antigo patrão dele, vulgo Lampião, executado com mais de 50 tiros em agosto de 2008. A viúva de Lampião, um irmão dele e um homem de confiança também foram mortos para não haver resistências ao domínio de Neri, que teve de enfrentar outro grupo de narcotráfico da antiga vila Dique, interessado em assumir então o controle da vila Nazaré. Uma ação em março deste ano da Brigada Militar e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) descobriu que a droga chega na vila Nazaré também pela freeway, junto de um matagal, com os veículos estacionando no acostamento para descarregar a droga.