A Polícia Civil contabilizou, nesta quarta-feira, 217 vítimas do homem apontado como o maior predador sexual do Rio Grande do Sul. Antes disso, em maio, a última atualização do número era de 158.
O suspeito, 36 anos, é morador de Taquara. Ele está preso desde janeiro, na Penitenciária Estadual de Sapucaia do Sul. De acordo com a Polícia Civil, seis mandados de prisão preventiva já foram decretados e outras 25 solicitações ainda aguardam um parecer da Justiça.
A última ordem judicial foi executada na terça-feira. De acordo com o delegado Valeriano Garcia Neto, titular da DP de Taquara, o investigado gravou vídeos em que comete abusos contra crianças.
O advogado Rodrigo Batista, que representa o suspeito, disse que a defesa vai se manifestar após a conclusão dos laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP). O profissional adiciona que ainda não teve acesso ao conteúdo dos processos no judiciário.
Segundo apuração policial, todas as vítimas têm entre 8 e 13 anos. Os policiais da DP de Taquara investigam o conteúdo de cerca de 750 pastas com pornografia infantil que teriam sido apreendidas na casa do preso. Ele teria cometido os crimes ao longo de quase duas décadas.
"Nós retiramos da sociedade um predador sexual em série. Ele é uma figura muito conhecida na sociedade de Taquara e que, até o início deste ano, ainda não tinha antecedentes. Sem dúvida isso foi um fator que o auxiliou a permanecer desapercebido enquanto praticava os crimes”, aponta o titular da DP de Taquara.
Também conforme o delegado, o pedófilo atuava por meio de perfis falsos nas redes sociais. Segundo a polícia, ele fingia ser uma menina para criar laços de amizade digital com crianças. Depois, as convencia a enviar fotos de nudez.
Em posse das imagens, o homem passava a fazer chantagens para obter mais conteúdos do tipo, chegando a passar orientações sobre a posição do corpo e o ângulo de câmera para fotos e filmes. Esses materiais serviam para forçar encontros, sob ameaça de divulgá-los caso a vítima não quisesse ir até o local indicado.
O criminoso sustentava a identidade falsa na Internet até que fosse estabelecida uma relação de confiança com as vítimas. Em um dos casos, fingiu ser uma menina e manteve conversas online com uma criança ao longo de quase cinco anos.
Crimes em loja
Conforme o delegado Valeriano Garcia Neto, parte dos abusos ocorria na casa do criminoso ou em uma loja na área central de Taquara. O estabelecimento costumava receber excursões escolares.
"O preso é dono de uma loja. O local recebia turmas de colégio para visitação, ocasião em que ele também aproveitava para tentar persuadir as alunas”, afirma o delegado.
Ainda segundo Garcia Neto, outras vítimas eram cooptadas em aulas de música e treinos de artes marciais. Como se isso não bastasse, o suspeito, com o mesmo propósito, ainda participava de projetos sociais.