Alexandre Curto assumiu a autoria, mas alegou pensar que a munição era de borracha. Na Brigada Militar de Bagé, Curto, que é professor de Educação Física, mantém atividades na parte administrativa. “Sou professor de Educação Física, dou aula”, disse.
A conversa, na tarde desta quarta-feira foi por telefone, e breve. Mas Alexandre Curto revelou à reportagem que segue com porte de arma, mesmo depois de, em serviço, há três anos, ter assassinado o agricultor. “Normal, não tem restrição nenhuma. Para o serviço é a arma de porte, revólver ou pistola”, explicou. Hoje, carrega consigo uma pistola. A reportagem já solicitou entrevista com o Comando da Brigada Militar.
Consultado, o advogado do MST Emiliano Maldonado lamentou que o julgamento do assassinato de Elton esteja arrastado há mais de três anos entre a produção do inquérito, a denúncia do Ministério Público e o processo judicial. “Cometem (policiais) um delito, homicídio, mas também casos de abuso de autoridade, tortura... e a tendência é ficar no esquecimento. Nós temos uma cultura autoritária política que se mantém desde a época da ditadura”.
Em 2010, o Ministério Público de São Gabriel denunciou o brigadiano por homicídio qualificado. Conforme o MP, a vítima foi alvejada pelas costas, completamente desarmada e alheia ao confronto protagonizado pela Brigada Militar e do MST no momento do disparo. Na Justiça, o processo está na fase de depoimento de testemunhas. Ainda não há sentença de pronúncia para que se defina se o caso vai ou não a júri popular.